Pesquisa internacional utilizou foto-identificação para monitorar baleias-jubarte e identificou deslocamentos entre Brasil e Austrália
Redação
Publicado em 24/05/2026, às 14h41
Ilhabela, litoral norte de São Paulo, integra um estudo internacional que utilizou registros de foto-identificação para acompanhar deslocamentos de baleias-jubarte e identificar travessias inéditas entre diferentes regiões do planeta.
A pesquisa foi divulgada nesta semana pela revista científica britânica Royal Society Open Science, repercutida pelo jornal The Guardian, e contou com participação de pesquisadores brasileiros, cientistas-cidadãos e contribuições feitas no município.
A técnica de foto-identificação foi uma das principais ferramentas utilizadas no estudo e permitiu acompanhar indivíduos ao longo dos anos por meio de características únicas observadas nos animais.
Entre os resultados apresentados está o maior deslocamento registrado até o momento: uma baleia identificada em 2003, em Abrolhos, no sul da Bahia, foi novamente observada em 2025 no litoral da Austrália, completando um percurso estimado em aproximadamente 15,1 mil quilômetros.
O estudo também identificou um caso com participação direta de Ilhabela. Uma baleia fotografada em Hervey Bay, na Austrália, em 2007, voltou a ser registrada em julho de 2019 pelo navegador Julio Cardoso, em Ilhabela. O cruzamento das imagens permitiu confirmar um deslocamento de aproximadamente 14,2 mil quilômetros entre os oceanos Pacífico e Atlântico.
Julio Cardoso, da Associação Probaleia, explicou como funciona o processo de identificação dos animais. “Na foto-identificação, o mais importante é registrar a parte inferior da cauda quando a baleia mergulha. Cada jubarte possui marcas únicas. É como uma impressão digital. Uma foto feita no momento certo pode ser comparada em plataformas como a Happywhale e ajudar pesquisadores a identificar aquele indivíduo anos depois, em qualquer lugar do mundo. Foi exatamente isso que aconteceu nesse estudo”.
A foto-identificação é uma técnica usada para monitorar baleias ao longo do tempo por meio de registros fotográficos. Os registros são compartilhados em plataformas como a Happywhale, utilizada para cruzamento de imagens e acompanhamento dos deslocamentos entre diferentes regiões do mundo.
A Associação Probaleia atua com foco em ciência-cidadã e reúne profissionais especializados na produção de registros fotográficos de cetáceos. O grupo desenvolve atividades no mar voltadas à identificação e monitoramento dos animais, ampliando a colaboração com pesquisas científicas.
O tema também ganha relevância em Ilhabela diante do crescimento do turismo de observação de cetáceos.
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Segundo os dados apresentados, em 2025 foram registrados 836 avistamentos de baleias-jubarte no litoral norte paulista. Em 2026, até o dia 18 de maio, já haviam sido contabilizados 33 registros no município.
O secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Harry Finger, destacou a importância do trabalho desenvolvido na cidade. “Esse estudo reforça a importância de manter e ampliar o trabalho de foto-identificação realizado há anos em Ilhabela. Esses registros fotográficos da cauda geram resultados concretos para a ciência, e qualquer pessoa pode colaborar. O catálogo atual do projeto em Ilhabela soma 809 baleias identificadas. Destas, 120 já foram registradas em outros locais e várias retornaram ao município”.