Durante a viagem, as baleias enfrentam ameaças provocadas pela atividade humana, como emalhes, colisões e poluição marinha
Rhauanny Queiroz
Publicado em 29/06/2026, às 13h00
Todos os anos, baleias percorrem milhares de quilômetros entre as águas geladas da Antártida e a costa brasileira, em uma das maiores migrações do reino animal. A viagem, essencial para a reprodução e o nascimento dos filhotes, também expõe esses mamíferos marinhos a uma série de ameaças provocadas pela atividade humana, como redes de pesca, colisões com embarcações, lixo marinho e poluição.
A migração faz parte do ciclo de vida de diversas espécies, que passam pelo litoral brasileiro durante o inverno, entre elas a baleia-jubarte, frequentemente avistada no litoral norte de São Paulo. Embora a população da espécie tenha se recuperado após décadas de proteção, especialistas alertam que os riscos ao longo da rota migratória continuam sendo um desafio para a conservação.
Durante o verão austral, as baleias permanecem nas águas frias da Antártida, onde encontram grande disponibilidade de alimento. Nesse período, acumulam reservas de gordura que serão utilizadas durante a migração.
Com a chegada do inverno, iniciam uma longa viagem em direção às águas mais quentes da costa brasileira. Nessas áreas, ocorre o acasalamento e o nascimento dos filhotes, que encontram temperaturas mais adequadas para os primeiros meses de vida. Durante esse período, as jubartes praticamente não se alimentam e vivem da energia acumulada anteriormente.
Um dos maiores desafios enfrentados pelas baleias durante a migração é o emalhe em redes de pesca. Quando ficam presas em redes ou cabos, elas podem sofrer ferimentos graves, perder parte das nadadeiras, comprometer a capacidade de nadar e, em situações mais severas, morrer por afogamento ou exaustão.
Por esse motivo, equipes de monitoramento acompanham a temporada de migração e, quando necessário, atuam no resgate dos animais.
Outro risco frequente é a colisão com embarcações. Como precisam subir regularmente à superfície para respirar, as baleias podem cruzar rotas utilizadas por barcos de pesca, lanchas e navios. O impacto pode provocar lesões graves ou até a morte dos animais.
Durante a temporada de migração, órgãos ambientais reforçam a orientação para que embarcações reduzam a velocidade em áreas de ocorrência de baleias e mantenham distância segura durante os avistamentos.
Além dos riscos físicos, a poluição marinha também afeta as baleias. Plásticos, linhas de nylon, resíduos descartados no oceano e contaminantes químicos degradam o ambiente marinho e podem provocar ferimentos, emalhes e impactos à saúde desses mamíferos.
Outro fator que preocupa pesquisadores é a poluição sonora causada pelo intenso tráfego de embarcações. O excesso de ruído pode interferir na comunicação entre as baleias e dificultar sua orientação durante a migração.
Apesar dos desafios, a população de baleias-jubarte no Atlântico Sul vem apresentando recuperação desde o fim da caça comercial, resultado de décadas de pesquisa, monitoramento e políticas de conservação.