Raia-manta de 6 metros e sem cauda surge no litoral de SP e ganha nome; veja

Animal ameaçado de extinção surgiu na região de Itanhaém com perda da cauda, lesão que aponta para o impacto da pesca predatória no oceano

Redação
Publicado em 27/04/2026, às 14h24

Fêmea batizada de "Moana" perdeu a cauda no oceano, lesão que os cientistas apontam como reflexo do impacto da pesca - Luiza Gomes/Projeto Mantas do Brasil


Uma fêmea da espécie raia-manta (Mobula birostris) marcou o início da temporada de avistamentos no litoral sul de São Paulo. O animal tem envergadura estimada entre cinco e seis metros, com peso capaz de superar a marca de uma tonelada.

A equipe do Projeto Mantas do Brasil fez o registro visual e fotográfico durante um mergulho no Parcel Dom Pedro, área marinha da cidade de Itanhaém. A observação in loco confirmou que o animal perdeu a cauda. De acordo com os pesquisadores, a mutilação figura como uma das marcas mais comuns na espécie e mostra o impacto direto da pesca incidental.

A raia-manta sofre com a ameaça de extinção em âmbito global, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A costa do estado de São Paulo atua como uma das poucas áreas no país onde o animal surge com regularidade. A presença da espécie indica águas produtivas e saudáveis, já que a raia filtra a água para se alimentar de plâncton e pequenos organismos.



A assistente de pesquisa e mergulhadora Luiza Gomes relatou um comportamento arisco e distante por parte do animal. De costume, a espécie demonstra curiosidade e busca aproximação com os humanos na água. Apesar da distância, a equipe conseguiu capturar imagens da região frontal e ventral (barriga).

Cada raia possui um padrão único de pintas e manchas, o que funciona como uma impressão digital para o monitoramento científico. A análise fotográfica confirmou o registro de um indivíduo novo e inédito no catálogo. A pesquisadora responsável pelas imagens batizou o animal com o nome de Moana.

Apoio de pescadores e drones

O sucesso da expedição no litoral paulista contou com a ajuda da comunidade. Pescadores da região relataram ao menos três aparições do animal no Parcel Dom Pedro nos dias anteriores ao mergulho.



O aviso da frota pesqueira direcionou a rota do barco do Instituto Laje Viva. A equipe também colocou drones no ar com rotas de voo pré-estabelecidas para aumentar a área de busca na superfície do mar, estratégia essencial para catalogar a espécie e acompanhar a saúde dos animais na costa brasileira.



Itanhaém

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