'Mangue-maçã' asiático ameaça litoral de SP; veja como identificar a praga

Origem aponta para o sudeste asiático; espécie compete com plantas nativas em Cubatão e obriga Fundação Florestal a intensificar os cortes

Redação
Publicado em 27/04/2026, às 10h52

Pequeno fruto tem a aparência de uma maçã verde e flutua com facilidade na maré, o que aumenta a dispersão da espécie pela Baixada Santista - Divulgação/Fundação Florestal


Uma espécie de árvore invasora originária do sudeste da Ásia obriga o estado de São Paulo a promover uma força-tarefa de erradicação na Baixada Santista. A Fundação Florestal registrou o corte de mais de 700 unidades do chamado "mangue-maçã" (Sonneratia apetala) nos manguezais de Cubatão.

O registro oficial da planta na região ocorreu em 2022, a primeira vez em que foi encontrada a espécie no Brasil e em toda a América do Sul.

De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a principal hipótese para a invasão intercontinental recai sobre a água de lastro dos navios mercantes, devido à proximidade da área com o complexo portuário de Santos.



A planta exótica ocupa hoje uma área de 300 hectares. O crescimento acelerado, o porte gigante (com mais de 12 metros de altura) e a alta produção de sementes dão à árvore uma vantagem biológica desleal. A espécie toma o lugar da vegetação nativa, o que ameaça as zonas de abrigo e de reprodução de espécies marinhas, com impacto direto na economia da pesca local.

Ação rápida e eliminação

O Ibama atua em conjunto com pesquisadores da Esalq-USP e com as equipes da Fundação Florestal. O grupo adota o uso de drones e imagens de satélite para mapear os focos. A eliminação das árvores obedece a um protocolo internacional de resposta rápida, focado em intervenção física: as equipes cortam os troncos, cobrem os tocos com a própria lama do mangue e removem sementes e mudas de forma manual. O uso de veneno ou produtos químicos no ecossistema é proibido.

A erradicação do mangue-maçã ainda é viável, mas exige resposta rápida, coordenação técnica e continuidade dos esforços para proteger a integridade dos manguezais paulistas”, afirma Rodrigo Levkovicz, diretor executivo da Fundação Florestal.

A Fundação Florestal intensificou as ações, com mapeamento das áreas afetadas e atuação direta em campo. Está previsto ainda um investimento de aproximadamente R$ 1 milhão ainda neste ano, destinado à contratação de serviços especializados e à expansão das ações de manejo e monitoramento.



“O momento é decisivo. Ainda estamos em uma fase em que a erradicação é possível, mas isso exige atuação rápida e contínua”, destaca Laís Zayas, responsável pelo setor de manguezais da Fundação Florestal.

Mangue-Maçã | Reprodução/Ibama

 

Como identificar o mangue-maçã

O Ibama pede que a população ajude na identificação visual da planta exótica. As denúncias devem apresentar o máximo de precisão sobre a localização (coordenadas, pontos de referência e fotos) por meio do telefone da Linha Verde (0800 061 8080) e pelo e-mail linhaverde.sede@ibama.gov.br.



As características que diferenciam a árvore asiática no mangue brasileiro são:

Raio X da planta invasora



Cubatão

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