Estudo encontra em urubu e coruja, no Orquidário Municipal, os mesmos tipos de E. coli que causam infecções hospitalares graves em humanos
Redação
Publicado em 08/09/2025, às 11h15
Pesquisadores encontraram clones de bactérias superresistentes a antibióticos em duas aves silvestres, no centro de reabilitação do Orquidário Municipal de Santos. A descoberta, publicada na revista Veterinary Research Communications, acende alerta sobre a circulação desses patógenos na fauna do litoral paulista.
Conforme matéria publicada na agência Fapesp, por André Julião, os clones da bactéria Escherichia coli identificados são os mesmos que têm sido encontrados em infecções humanas, tanto em hospitais quanto na comunidade, em todo o mundo.
Embora o impacto nos animais seja incerto, em humanos essas cepas podem causar infecções graves e com poucas opções de tratamento, especialmente, em pacientes com o sistema imunológico debilitado.
Nessas pessoas, clones multirresistentes como esses frequentemente levam à morte", explica Fábio Sellera, professor da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes) e um dos coordenadores do estudo apoiado pela Fapesp.
As bactérias foram encontradas no trato intestinal de um urubu e de uma coruja, de um total de 49 animais testados no orquidário.
O urubu, resgatado com múltiplas fraturas, já chegou ao centro colonizado pela bactéria, provavelmente pelo contato com lixo e esgoto em áreas periurbanas.
No caso da coruja, que vive no local há dez anos e já foi tratada com antibióticos, não é possível saber se ela adquiriu a bactéria no ambiente ou se também chegou contaminada.
O trabalho chama a atenção para a necessidade de novos protocolos em centros que cuidam de animais silvestres. "Essas instalações têm uma grande importância, mas em nenhum lugar do mundo existem procedimentos baseados em evidências científicas para monitorar, evitar e tratar a colonização por microrganismos resistentes", adverte Sellera.
Os pesquisadores sugerem a testagem dos animais no momento da admissão, o isolamento dos que estiverem colonizados e, até, tentativas de "descolonização" antes de devolvê-los à natureza.
O risco, segundo os cientistas, é que os genes de resistência podem ser transferidos para outras bactérias no ambiente. "Com isso, mesmo bactérias que nunca tiveram contato com antibióticos podem passar a ser resistentes", afirma Nilton Lincopan, professor da USP e também coordenador do estudo.
"Os microrganismos que vivem em animais presentes em centros de reabilitação são uma amostragem do que está circulando na natureza. Por isso, esses locais podem ser importantes aliados no monitoramento de patógenos humanos", conclui Lincopan.
O artigo High-risk Escherichia coli global clones ST10 and ST155 in wild raptors admitted to a rehabilitation center pode ser lido aqui.
* Com informações da Agência Fapesp
Prêmio de mais de R$ 230 milhões da Lotofácil da Independência sai para 54 apostas
Petrobras planeja usar aeroporto do Guarujá como base operacional da Bacia de Santos