O animal foi localizado cinco horas depois de cair no mar, a uma distância de 12km do porto.
Reginaldo Pupo
Publicado em 15/06/2018, às 08h32 - Atualizado em 23/08/2020, às 16h56
Tripulantes do veleiro Endurance localizaram, na manhã da última quinta-feira, 14, um boi vivo que estava boiando no canal de São Sebastião, nas proximidades da praia da Armação, em Ilhabela. O animal foi içado e rebocado até a praia das Cigarras, em São Sebastião, onde chegou por volta das 8h da manhã. O boi pode ser um dos dois animais que despencaram do navio Aldelta, de bandeira panamenha, durante a operação de embarque da manada para a embarcação, na madrugada anterior. O navio transportará cinco mil cabeças de gados para o Oriente Médio.
Os dois casos aconteceram num prazo de uma semana. O primeiro boi a cair no mar foi resgatado e reembarcado. Um vídeo que circula pela internet, gravado possivelmente por funcionários do porto, mostra um boi que teria se desgarrado do bando. Ele estava deitado, preso, nas defensas do navio. Um dos funcionários tenta laçá-lo para retirá-lo do local. Mas o animal, visivelmente estressado, começa a se debater, quando a defensa se rompe e ele despenca no mar.
O boi foi localizado cinco horas depois, a uma distância de 12km do porto. Os tripulantes do veleiro acionaram a Defesa Civil de São Sebastião. O animal, após dar bastante trabalho, foi imobilizado e transportado novamente para o porto, onde teria passado por exames com um veterinário antes de ser embarcado novamente no navio.
Protestos
Após a notícia do acidente, ambientalistas e protetores dos animais realizaram um protesto em frente à Companhia Docas de São Sebastião, responsável pelo porto, contra o transporte de cargas vivas. “Basta de crueldade com os animais” e “Animais estão sofrendo” foram algumas das mensagens exibidas pelos manifestantes. O secretário municipal do Meio Ambiente de São Sebastião Auracy Mansano Filho encaminhou ofício à Pronave – Agente de Comércio Exterior -, empresa que opera o porto de São Sebastião, solicitando informações a respeito do acidente. O secretário quer saber a quantidade de animais que caíram no mar, os motivos que provocaram o acidente e de que forma ocorreu o resgate.
O secretário ainda questionou a empresa se há um plano de prevenção de acidentes no transporte de cargas vivas e possíveis mitigações de impacto, inclusive, o salvamento desses animais em casos de queda no mar. De acordo com entidades de proteção animal, o porto de São Sebastião não teria requisitos ambientais exigidos em lei pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), mas realiza o embarque de 10 mil cabeças de gados por mês em média.
Uma ação civil pública, em tramitação na Justiça Federal, tenta barrar o transporte de cargas vivas. Procurada, a Companhia Docas de São Sebastião informou, em nota, que não foi citada na ação civil pública. "Durante o transporte de cargas vivas por empresa privada (a TSS Transcopa), nesta quinta-feira, no porto de São Sebastião, um animal (boi) caiu no mar e foi prontamente resgatado e reembarcado, com boas condições de saúde após avaliação de veterinário a bordo do navio".
Conforme informou o jornal Costa Norte, na edição da semana passada, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS), da Assembleia Legislativa de São Paulo, afirmou que iria oferecer denúncia ao Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual, contra o transporte de cargas vivas.
O deputado estadual Roberto Tripoli (PV), que preside a comissão, diz: "Além de ser uma crueldade transportar os animais dessa forma, existe uma ameaça ao meio ambiente, à fauna marinha, à pesca e até à saúde humana”. Os animais são transportados por meio de carretas a partir de estados do Sudeste e Centro-Oeste até o porto de São Sebastião. O trecho marítimo, até o Oriente Médio, leva cerca de 30 dias.