Costa Norte
Publicado em 22/03/2017, às 07h26 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h43
A partir de janeiro de 2019 os termômetros e medidores de pressão arterial (esfigmomanômetros) com coluna de mercúrio não poderão mais ser fabricados, importados, comercializados e muito menos usados em serviços de saúde. A resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi publicada nesta quarta-feira, 22, no Diário Oficial da União.
No dia 7, a diretoria colegiada da Anvisa aprovou uma série de medidas para retirar do mercado materiais de saúde que utilizam mercúrio na composição – entre elas, a proibição do uso do elemento em termômetros e medidores de pressão corporal com coluna de mercúrio e o uso de mercúrio e liga de amálgama não encapsulado em odontologia.
A proibição dos termômetros e dos medidores de pressão com coluna de mercúrio, segundo a Anvisa, é resultado da Convenção de Minamata, assinada pelo Brasil e por mais 140 países em 2013 e que tem como objetivo eliminar o uso do elemento em diferentes produtos, como pilhas, lâmpadas e equipamentos para saúde.
De acordo com a agência, o impacto da contaminação do meio ambiente por mercúrio está ligado diretamente aos riscos provocados pela exposição ao elemento para a saúde humana. Dados do Ministério do Meio Ambiente revelam que a exposição a 1,2 miligramas de mercúrio por algumas horas pode causar bronquite química e fibrose pulmonar em seguida. Segundo a pasta, o elemento pode causar problemas ao sistema nervoso central e à tireoide, caso a exposição ao material ocorra por períodos longos.
Entre as formas existentes de mercúrio, há o metil-Hg, considerada a mais tóxica aos organismos superiores, em especial aos mamíferos. Ele se acumula no sistema nervoso central, causando disfunção neural, paralisia e pode levar à morte.
Termômetro com mercúrio em casa
A Anvisa ressaltou que, por se tratar de um produto sem prazo de validade, é possível que algumas pessoas ainda tenham termômetros com mercúrio em casa. A quantidade da substância presente em termômetros de uso caseiro, segundo a agência, não chega a ser comprometedora, mas, em caso de acidentes, a orientação é manter as seguintes precauções:
- Não permita que crianças brinquem com as bolinhas de mercúrio;
- Utilize luva e máscara e recolha com cuidado os restos de vidro em toalha de papel, coloque em recipiente resistente à ruptura para evitar ferimento e feche hermeticamente;
- Localize as bolinhas de mercúrio e junte-as com cuidado, utilizando papel cartão ou similar. Recolha as gotas de mercúrio com uma seringa sem agulha. As gotas menores podem ser recolhidas com fita adesiva;
- Transfira o elemento recolhido para recipiente de plástico duro e resistente, feche hermeticamente e cole um rótulo indicando o que há no recipiente;
- Recipientes que acondicionem mercúrio líquido ou seus resíduos contaminados devem estar armazenados com quantidade de água (selo hídrico) capaz de cobrir esses resíduos, para minimizar a formação de vapores de mercúrio;
- Identifique o recipiente, escrevendo na parte externa “resíduos tóxicos contendo mercúrio”;
- Não use aspirador, pois isso vai acelerar a evaporação do mercúrio, assim como contaminar outros resíduos contidos no aspirador;
- Coloque o recipiente em uma sacola fechada;
- Entre em contato com o serviço de limpeza urbana do seu município ou órgão ambiental (estadual ou municipal) para saber como proceder a entrega do material recolhido.
Com informações da Agência Brasil
Foto: Divulgação/Anvisa