Estudo do Instituto Trata Brasil destaca Santos com índice de apenas 5,35% de desperdício após investimentos da Sabesp
Redação
Publicado em 22/06/2026, às 10h57
Sete cidades do estado de São Paulo integram o grupo de 12 municípios brasileiros com padrão de excelência no combate ao desperdício de água. O dado consta no estudo Perdas de Água 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil. Entre os destaques figuram Suzano, que lidera o ranking nacional, e Santos, na Baixada Santista.
O município santista registra índice de perda de 5,35%, o segundo melhor do país, atrás apenas de Suzano, que apresenta 1,27%. As demais cidades da lista possuem perdas superiores a 11%, enquanto a média nacional atinge 40%.
O avanço decorre do aumento de 120% nos investimentos em saneamento básico, após a desestatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), com aporte de R$15 bilhões em 2025. Na Baixada Santista, os recursos somam R$2,4 bilhões desde julho de 2024.
O monitoramento das redes de distribuição ocorre com o auxílio de inteligência artificial (IA) em todo o território paulista. Carros operacionais da Sabesp circulam pelas vias públicas com câmeras integradas a algoritmos que identificam falhas no asfalto e indícios superficiais de vazamento.
A fiscalização também ganha suporte aeroespacial por meio de imagens de satélite combinadas com ferramentas de IA. O método localiza perdas de água subterrâneas em áreas urbanas complexas e detecta sinais de umidade em até 3m de profundidade.
Os usuários da Sabesp contam com avisos automáticos via WhatsApp caso a fatura ultrapasse 30% do consumo regular, para sinalizar possíveis vazamentos internos nos imóveis. A companhia destinou R$3,8 bilhões para a instalação de hidrômetros inteligentes, que rastreiam perdas invisíveis em tempo real.
Os novos medidores enviam notificações por aplicativo, e-mail e mensagem de texto e possuem sistema de alarme contra furtos. O consumidor acompanha o volume utilizado hora a hora pelo aplicativo da Sabesp, iniciativa relevante por causa do atual cenário de escassez hídrica.
Nas vistorias de campo, a empresa utiliza um cão-robô guiado por controle remoto, batizado de DOM, para inspecionar tubulações e galerias. O dispositivo opera em locais de difícil acesso ou com riscos biológicos e químicos, como falta de oxigênio, gases tóxicos e presença de animais peçonhentos.
As ações integram o programa de resiliência hídrica e expansão da infraestrutura da Sabesp, cujo orçamento saltou de R$6,9 bilhões para R$15 bilhões entre 2024 e 2025. O Plano Regional de Saneamento Básico estabelece investimentos de R$260 bilhões até 2060, com a meta de destinar R$70 bilhões até 2029 para garantir água potável e coleta de esgoto a toda a população paulista.