Ex-presidente do TJ de São Paulo criticou decisão da 2ª Turma de STF que considerou que Sérgio Moro, ex-juiz da Lava Jato em Curitiba, foi parcial ao condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex do Guarujá
Da redação
Publicado em 24/03/2021, às 13h50 - Atualizado às 14h20
O ex-presidente do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), Ivan Sartori, criticou a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que julgou o ex-juiz Sérgio Moro suspeito e parcial ao condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex do Guarujá. “É uma decisão difícil de aceitar”, declarou Sartori que se aposentou da magistratura em 2019 e concorreu à prefeitura de Santos nas eleições de 2020.
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A 2ª Turma do STF decidiu nesta terça-feira (23), por 3 votos a 2, que Sérgio Moro, ex-juiz da Lava Jato em Curitiba, foi parcial ao condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex do Guarujá.
A ministra Cármen Lúcia, que havia se posicionado contra o pedido em 2018, revisou seu voto. A ministra justificou sua mudança de voto alegando que, à época, não tinha os elementos que tem hoje, os quais, em seu entendimento, demonstram que Moro condenou Lula com parcialidade.
Ela mencionou a condução coercitiva, a interceptação do escritório de advocacia da defesa do ex-presidente, a divulgação da ligação entre Lula e a então presidente Dilma Rousseff (PT) e o levantamento do sigilo de Antônio Palocci como os fatos que influenciaram a revisão do voto.
Junto de Carmen Lúcia, votaram a favor da suspeição de Moro, os ministros Ricardo Lewandowsk e Gilmar Mendes. Os votos vencidos, contrários a suspeição do ex-juiz, foram os dos Ministros Edson Fachin e Nunes Marques.
https://www.youtube.com/watch?v=8k4u7NQfuoA
Em vídeo publicado nas redes sociais, Ivan Sartori, atualmente com 64 anos, argumentou que as provas que colocaram em xeque a imparcialidade de Moro foram obtidas por meios ilegais e, a seu ver, não poderiam ser utilizadas num julgamento. “prova ilícita foi utilizada". Gravações clandestinas, haqueadas. Produto de crime, a constituição não permite isso. É uma decisão que nos consterna”, lamentou Sartori que foi segundo colocado nas eleições para a prefeitura de Santos em 2020, com 18,6% dos votos, perdendo para o atual prefeito.
Segundo Sartori, a decisão que declara o ex-juiz Sé Moro suspeito e parcial, pode gerar um “efeito cascata” que pode beneficiar os outros condenados por Moro no mesmo processo. “Essa suspeição do Moro é uma circunstância objetiva para todos aqueles que por ele foram julgados nesse caso de corrupção”.
Segundo o ex-magistrado, a decisão favorece a impunidade. “Então já se vê aí o quadro se desenhar, a impunidade se mostrar. Brasileiros e brasileiras, presidente Jair Bolsonaro, precisamos acordar e reverter essa situação”, declarou.
Ivan Sartori ingressou na magistratura em 1980 e tomou posse posse como presidente do TJ-SP no dia 2 de janeiro 2012 para o biênio 2012/2013