Sócia-proprietária e gerente de manutenção da União do Litoral são indiciados

Costa Norte
Publicado em 07/02/2017, às 14h18 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h39

- Costa Norte


Daniela de Carvalho e Adriano André do Vale foram indiciados após inquérito da polícia civil

Duas pessoas foram indiciadas na segunda-feira, 6, pela morte de 17 estudantes e o motorista da empresa União do Litoral Transporte e Turismo Ltda, em junho passado. A sócia-proprietária da empresa, Daniela de Carvalho Soares Figueiredo, 40 anos, e o gerente de manutenção, o engenheiro Adriano André do Vale, 46 anos, foram interrogados no dia 31 de janeiro pelo delegado titular de Bertioga, Sérgio Lemos Nassur.

Nassur indiciou os dois por homicídio culposo e lesão corporal culposa. "No meu entendimento eles são responsáveis indiretamente pelas lesões e mortes em razão da omissão no dever de cautela", afirmou. O delegado explicou que a sócia-proprietária foi indiciada por ser a pessoa que cuida da administração da empresa. Ela é responsável pela área comercial, departamento de tráfego, recursos humanos e treinamento relativo às questões administrativas. "A outra sócia não participa da administração da empresa, ela tem seu nome apenas no contrato social da empresa", informou o delegado referindo-se à mãe da indiciada, Valéria Maria Carvalho Soares.

Já o gerente de manutenção está na empresa há 27 anos, é responsável por 26 funcionários, entre mecânicos, funileiros e eletricistas. Ele foi indiciado pela falta de cuidado. "Ele é o responsável direto pelas condições mecânicas e estruturais de cada um desses veículos, desses ônibus que transportam pessoas pra cima e pra baixo", disse.



Contatada, a empresa, por meio do advogado Antonio Martinho, ressalta a não-condenação. "Indiciar não quer que a pessoa seja condenada", disse. Martinho também alegou que o inquérito policial apresenta indícios de suposta negligência na manutenção do coletivo acidentado, mas que o fato foi contestado pela empresa, com documentos e um parecer técnico que comprovam a manutenção adequada do veículo.

O advogado também afirmou que a empresa assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) junto à Defensoria Pública e tem efetuado diversos acordos de forma sigilosa com diversas vítimas e beneficiários daqueles que perderam algum ente querido.

Já o advogado de mais de 12 famílias de mortos e sobreviventes, José Beraldo, acredita que os indiciamentos representam uma batalha vencida. "Para ganharmos uma guerra judicial, temos que vencer várias batalhas. Essa eu já consegui, mas espero ainda que o Ministério Público denuncie como dolo eventual, pois eles assumiram o risco com a falta de revisão nos ônibus".



Beraldo também deseja que a mãe da indiciada Daniela seja punida. "Por mais que ela não atuasse no dia-a-dia, ela não é idiota e sabia do que acontecia na sua empresa. Quero que todos os envolvidos paguem", declarou o advogado que agora aguarda a denúncia do promotor e as audiências pelas indenizações de cada família. "Eu propus que cada família receba R$1,5 milhão".

Protesto

Nesta quarta-feira, 8, o acidente completa 8 meses e José Beraldo junto com as famílias das vítimas farão um protesto em frente ao Fórum de São Sebastião, para relembrar o caso. O acidente aconteceu em 8 de junho de 2016, no km 84 da rodovia Mogi-Bertioga. Na ocasião, alunos de São Sebastião voltavam de faculdades de Mogi das Cruzes para casa quando o ônibus perdeu o freio, chocou-se contra uma pedra e capotou.



Escrito por Marina Aguiar

Foto: JCN