Deitar-se de barriga para cima pode ter efeito sobre o organismo
Da redação
Publicado em 22/09/2021, às 10h48 - Atualizado às 15h07
Assim como cada um de nós possui individualidades posturais e na linguagem corporal enquanto estamos acordados, também podemos apresentar preferências no posicionamento na hora de dormir.
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Há quem diga que esse tipo de comportamento pode refletir traços de personalidade, ou apenas estar relacionado a uma questão de conforto, mas poucos sabem que o posicionamento no decúbito pode ter efeito sobre o funcionamento do organismo, principalmente para quem tem problemas respiratórios.
Deitar-se de barriga para baixo, por exemplo, favorece a oxigenação do sangue. Existem diversos mecanismos que resultam nesse efeito, incluindo por exemplo, uma menor compressão pelos órgãos abdominais nas regiões das bases dos pulmões e uma melhor distribuição de ar nos alvéolos pulmonares.
Por essa razão, a posição é bastante utilizada para promover melhora na oxigenação de pacientes com doenças pulmonares, como a covid-19.
A posição de lado costuma ser bastante recomendada para manter o alinhamento da coluna, mas pode apresentar algumas particularidades em grupos específicos como as gestantes. Com o crescimento do bebê, a veia cava inferior, que leva o sangue para o coração, começa a sofrer compressão quando se deita sobre o lado direito do corpo, motivo pelo qual em geral as grávidas são orientadas a dormir sobre o lado esquerdo para favorecer a circulação.
Assim como nas demais posições, deitar-se de barriga para cima também pode ter efeito sobre o organismo. Ao dormir, a musculatura relaxa e a ação da gravidade sobre a língua e a mandíbula pode facilitar o estreitamento da via aérea superior causando ronco ou até mesmo episódios de obstrução com interrupção da respiração em alguns indivíduos propensos, uma condição chamada de apneia obstrutiva do sono (AOS).
A apneia do sono ou ronco podem ocorrer exclusivamente nessa posição (apneia posicional), de maneira que a mudança de decúbito resolva total ou parcialmente o problema, conforme explica o Dr. Alan Eckeli, professor de neurologia e medicina do sono da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP).
Um paciente relatou ter sido alertado pela esposa sobre o ronco e receber “cutucões” durante a noite para mudar de posição: “Muitas vezes, via minha esposa indo dormir na sala por causa do meu ronco, mesmo tentando me alertar. Frequentemente ela perdia o sono ao acordar e passava a madrugada em claro”.
Dr. Alan explica que em muitos casos, no entanto, apesar de as apneias ocorrerem predominantemente na posição de barriga para cima (supina), a condição se mantém em outras posições e precisa ser tratada para evitar que as interrupções na respiração privem o corpo e o cérebro de oxigênio.
A indicação de tratamento mais comum para pacientes com apneia do sono moderada ou grave é o uso de terapia com CPAP - pressão positiva nas vias aéreas. O equipamento gera um fluxo de ar que pressuriza a via aérea através de uma máscara, promovendo a desobstrução.
Hoje já existem diversas opções de máscaras no mercado para permitir aos pacientes em tratamento dormir na sua posição de preferência ou movimentar-se na cama com mais liberdade.
A apneia do sono é um distúrbio comum, afeta 1 em cada 3 brasileiros e está relacionada à pior qualidade de vida e de sono, além de problemas de saúde como hipertensão arterial, diabetes e doenças cardiovasculares, devendo ser investigada e tratada nos casos moderados e graves.