Queda em reservatórios de água na Grande SP pode provocar nova “fuga” para o litoral paulista

Na crise hídrica, entre 2014 e 2016, diversos veranistas traziam as roupas sujas para lavá-las em suas casas de praia

Reginaldo Pupo
Publicado em 29/08/2025, às 19h30

Volume de retirada de água do Sistema Cantareira será reduzido - Divulgação


A exemplo do que ocorreu durante a crise hídrica histórica registrada entre os anos de 2014 e 2016, na região metropolitana de São Paulo, os baixíssimos volumes de água nos principais reservatórios daquela região registrados nesta semana, poderão, novamente, provocar fuga de moradores do planalto para cidades do litoral paulista.

De acordo com a Sabesp, seu sistema de mananciais apresentou variações negativas no armazenamento entre os dias 26 e 27 de agosto. O volume total caiu de 38,2% (742,87 hectômetros cúbicos) para 38,0% (739,16 hm3), refletindo  redução de 0,2 ponto porcentual.

A empresa nega que esteja ocorrendo nova crise hídrica, mas, desde a quarta-feira (27), decidiu reduzir a pressão da água em toda a Grande São Paulo por causa dos baixos níveis dos reservatórios, entre as 21h e 5h. A estratégia é justamente a mesma usada na crise hídrica. Com isso, muitas casas podem ficar sem água durante a noite, especialmente nos bairros mais altos e afastados do centro de São Paulo.



Já nesta sexta-feira (29), a Sabesp anunciou, em menos de uma semana, a segunda medida relacionada à economia de água. A empresa, cuja privatização completou um ano, irá reduzir o volume de retirada de água do Sistema Cantareira. A extração será diminuída de 31m³/s (metros cúbicos por segundo) para 27m³/s, queda de 12,9%. A medida, prevista em parâmetros da ANA (Agência Nacional de Águas) e SP-Águas (Agência de Águas do Estado de São Paulo) ocorre quando o nível do reservatório fica abaixo dos 40%. Atualmente, está em 35,23%.

Os volumes apresentados nesta semana são, de acordo com a Sabesp, os menores desde 2015. Em 27 de agosto daquele ano, os reservatórios operaram com apenas 9,4% do volume total. A crise hídrica é causada quando há  combinação entre os baixos índices pluviométricos, o grande crescimento da demanda de água e o ineficiente gerenciamento desse recurso.

Nova crise hídrica?

De acordo com a Sabesp, seu monitoramento detectou que todos os sistemas mananciais apresentaram queda no volume. O Cantareira passou de 35,7% para 35,5%, com diminuição em hm3 de 350,40 para 348,40. O Alto Tietê reduziu de 30,3% para 30,1%, com a capacidade passando de 169,60hm3 para 168,71hm3.



A Represa de Guarapiranga cedeu de 54,9% para 54,6%, enquanto o sistema Cotia diminuiu de 59,8% para 59,6%. O Rio Grande teve seu volume mantido em 58,9%. Mas o Rio Claro caiu de 22,7% para 22,3% e o São Lourenço, de 56,1% para 55,8%.

Roupa suja se lava... na praia!

Durante a crise hídrica, milhares de moradores de cidades da Grande São Paulo, que possuíam casas de veraneio, desceram a serra para fugir da falta d´água. Muitos dos veranistas traziam as roupas sujas para lavá-las em suas casas de praia.

As cidades do litoral paulista, cercadas pela Serra do Mar, têm o privilégio de possuírem cachoeiras e cursos d´água, onde é feita a captação pelas concessionárias e distribuidoras. Portanto, não dependem exclusivamente das chuvas para que haja o abastecimento.



Os turistas também aproveitavam suas piscinas nas casas praianas, já que na Grande SP não havia possibilidade de realizar a troca da água. Os banhos também podiam ser mais demorados, e a qualquer hora, diferentemente das grandes cidades afetadas, onde o racionamento imperava.



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