Projeto social de igreja alimenta famílias, mas precisa de novas doações no litoral norte

Cestas básicas distribuídas a famílias em situação de vulnerabilidade são montadas a partir de doação de fiéis, mas, para manter distribuição, igreja pede contribuição da comunidade

Reginaldo Pupo
Publicado em 06/04/2026, às 15h24

Atualmente, a igreja consegue montar entre três a seis cestas básicas por mês, o que não é suficiente - Fernando Frazão / Agência Brasil


O projeto social da igreja evangélica GDA (Geração de Adoradores), de Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, há 15 anos distribui cestas básicas a famílias em situação de vulnerabilidade da cidade, muitas delas dependentes desse apoio, ainda que temporariamente, para garantir alimento dentro de casa.

Os kits com os alimentos são montados a partir de doações dos próprios fiéis da igreja, por meio de campanhas internas de arrecadação. No entanto, a entidade solicita apoio da comunidade na doação de alimentos não-perecíveis, para compor a cesta de mantimentos, como arroz, feijão, açúcar, café, óleo, macarrão, biscoitos, entre outros gêneros alimentícios. Produtos de higiene pessoal e bucal também são bem-vindos.

À frente de um dos projetos sociais da igreja, Adir da Silva Ferreira faz o trabalho de captação das doações, montagem e distribuição das cestas básicas, que são oferecidas às famílias carentes. Segundo ela, em muitos casos, os alimentos contidos nos kits chegam a representar a única fonte de sustento temporário para diversas famílias atendidas pelo projeto.



“A maioria das pessoas que atendemos não tem absolutamente nada para comer dentro de casa e depende das doações para promover o sustento. A situação dessas famílias geralmente é temporária, que as obrigam a passar por dificuldades, que são momentâneas, muitas vezes causadas pelo desemprego, ou por algum familiar que ficou doente, gerando aumento das despesas da casa. Portanto, até que a situação se estabilize, são as doações que sustentam essas famílias”, explica Adir.

Auxílio mútuo

Segundo Adir, a distribuição das cestas básicas teve início após a igreja identificar alguns fiéis e membros da sociedade, inclusive com crianças, passando por dificuldades. “Muitas famílias passaram a nos procurar solicitando algum tipo de auxílio. Alguns fiéis, entendendo ser um chamado de amor cristão e tocados pela situação precária do próximo, procuraram se juntar para auxiliar essas pessoas”.

Segundo ela, centenas de famílias já foram atendidas ao longo desses 15 anos. “Durante a pandemia, a distribuição multiplicou. Em épocas de chuvas fortes na cidade, em que muitas famílias ficam desalojadas ou desabrigadas, há uma grande demanda de pedidos de cestas básicas. Mas, atualmente, o projeto social da igreja não vem conseguindo atender um número maior de famílias devido às poucas doações que a entidade vem recebendo”, lamenta.



Ela diz que ultimamente a igreja consegue montar entre três a seis cestas básicas por mês. “Infelizmente, essa quantidade é insuficiente para atender à demanda”, alerta. Ela ressalta que as cestas não são limitadas apenas aos fiéis da igreja. “Dentro de nossas possibilidades, os kits também são oferecidos a moradores em situação de vulnerabilidade da cidade”, acrescenta.

Gratidão

A responsável pelo projeto comenta que as famílias agraciadas com os kits recebem os alimentos com gratidão. “Elas agradecem muito porque entendem que é a provisão de Deus, pois é complicado para essas famílias não terem arroz, feijão, leite ou uma bolachinha para dar para as crianças e, de repente, chega tudo isso à casa dessas pessoas. Então, elas são muito gratas e ficam felizes, pois causa um alívio momentâneo. As cestas básicas não são grandes, enormes, mas é uma providência temporária para essas famílias”, conclui Adir.

Para a pastora presidente da GDA, Cristiane Ferreira, a doação de alimentos representa esperança concreta para famílias que enfrentam diariamente a insegurança alimentar. “Cada cesta básica entregue significa mais dignidade à mesa, alívio no orçamento e a certeza de que alguém se importa”, salienta.



Segundo Cristiane, em comunidades em situação de vulnerabilidade, essa ação tem um impacto direto não apenas na nutrição, mas também no fortalecimento emocional e social dessas famílias. “Elas passam a se sentir vistas e amparadas. Contribuir com essa causa é participar de uma corrente de cuidado que transforma realidades, aproximando pessoas e despertando o melhor da humanidade, a empatia e o compromisso com o próximo”, reforça.

Interessados em doar produtos para montagem das cestas básicas a serem distribuídas à comunidade de Caraguatatuba podem entrar em contato com a Adir, pelo WhatsApp 12 99609 6507 ou entregar os mantimentos diretamente na igreja, às sextas-feiras, entre as 19h30 e 21h30, e aos domingos, das 18h30 às 21h30. A GDA fica na rua Filadelpho Reis, 171, bairro do Tinga.

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