Eleni Nogueira
Publicado em 17/01/2018, às 15h09 - Atualizado em 24/08/2020, às 03h02
Moradores de Bertioga criticam os possíveis impactos ambientais a ser causados pela obra de transposição do Rio Itapanhaú
Marina Aguiar
Moradores de Bertioga e membros do Movimento Bertioga reuniram-se no gabinete do prefeito e na Câmara Municipal, para se posicionarem contra a transposição das águas do rio Itapanhaú, na terça-feira, 16. A liberação das obras foi assinada pelo governador do estado de São Paulo Geraldo Alckmin, no dia 5 de janeiro, com previsão de início em dois meses. O projeto abastecerá a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), especificamente, para o Sistema Produtor Alto Tietê (Spat).
O anúncio desagradou moradores de Bertioga, que conversaram com o prefeito Caio Matheus e, depois, seguiram para uma reunião aberta na Câmara dos Vereadores. Alguns participantes vestiram camisas com a frase "Sou contra a transposição do rio Itapanhaú", slogan do Movimento Bertioga. O historiador Cadu de Castro foi o primeiro a se manifestar e disse que os reflexos serão muito negativos e terão impactos sociais e ambientais na cidade. "Todos nós pagaremos um preço muito caro por isso". A bióloga Cássia de Freitas destacou os animais em extinção que serão prejudicados com a obra. "Lontras, peixes-borboleta, pererecas em extinção estão nesse ecossistema. Estou com o movimento e sou contra a transposição", declarou.
Líder do Movimento Bertioga, Geraldo Varjabedian afirmou que, no planalto, foi criado um consórcio para os municípios produtores de água com verba do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) como contrapartida. "Não queremos contrapartida porque água não é mercadoria!", exclamou. O vereador Eduardo Pereira (SD) rebateu. "Quando se fala em contrapartida, lembramos que Bertioga tem vários problemas ambientais, de saneamento etc. Somos contra a transposição, mas, se essa situação prevalecer, temos que ver todas as variáveis", disse.
A advogada Cinthia Conceição relembrou uma ação civil pública proposta pelo Grupo de Atuação Especial de Defesa ao Meio Ambiente (Gaema), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em andamento, que ainda não foi julgada. "E se o processo for deferido a favor do povo, a favor do rio? É irreversível!", questionou, citando o processo 1000632852017.8.26.0075 em tramitação na 2ª vara do Foro de Bertioga.
Após a reunião, o presidente da casa de leis Ney Lyra (PSDB) informou que buscará uma solução junto à população. "Tem um parecer do Gaema contrário à transposição. A maioria da Câmara é contra, mas alguns vereadores querem uma contrapartida. É uma batalha grande que temos pela frente. Vamos pegar toda a documentação, pareceres contrários, e tomar uma decisão".
O prefeito de Bertioga Caio Matheus ressaltou que não recebeu nenhuma notificação do governo sobre a liberação das obras. "Ficamos sabendo pela própria imprensa. Existem algumas condicionantes que não foram cumpridas, e vamos argumentar em cima desses desacordos. Bertioga nunca falou tanto a mesma língua. População, Legislativo e Executivo estão juntos pelo nosso bem mais precioso".
Caio ainda afirmou que, a partir das reuniões, redigirá documentos finais para protocolar em âmbitos municipal e estadual, a fim de cessar a transposição e, também, para receber estudos mais detalhados quanto à questão dos impactos que podem ser causados no município.
Movimento
O Movimento Bertioga realizará um ato na rua da Marina do Forte (Jardim Vicente de Carvalho), próximo à ponte do rio Itapanhaú e à padaria do Manolo, na rodovia Rio-Santos, às 14 horas de sábado, dia 27.
Foto: JCN