Prainha Branca perde três moradores para a covid-19 em 14 dias

Moradores estão de luto pela perda dos queridos Isabel e Luana Oliveira e Nilson Alves de Oliveira

Eleni Nogueira
Publicado em 06/07/2020, às 14h22 - Atualizado em 24/08/2020, às 00h00

- Reprodução/Internet


Isabel Edmunda de Oliveira, 83 anos, Nilson Alves de Oliveira, 56, e Luana de Oliveira, 35. Nomes de pessoas amadas, moradoras de uma mesma comunidade, a Prainha Branca, localizada em Guarujá, na divisa com Bertioga. Em apenas 14 dias, os três deixaram suas famílias e amigos, perderam a luta para a covid-19, doença que já matou mais de 64 mil pessoas no país.

Luana de Oliveira faleceu no início da tarde desta segunda-feira, 6. Para quem a conheceu fica a lembrança de um grande sorriso. De uma mulher lutadora, que amava a família e defendia o meio ambiente. Em 2005 criou um trabalho com as crianças da comunidade, a Patrulha do Verde, que realizava mutirões de limpeza e passeios. Teve o trabalho reconhecido e chegou a ter apoio da Fundação S.O.S. Mata Atlântica. 

Walmil Celestino lembra da sobrinha como uma jovem sonhadora e guerreira, que mesmo sabendo de sua condição de risco, por ter asma, se expôs para cuidar da avó. "Ela sonhava com um mundo melhor, fazia pedagogia e planejava voltar com o projeto junto aos jovens, quando o filho crescesse um pouco mais". 



A jovem Luana estava em isolamento e ainda se recuperava do choque da morte da avó, Isabel Edmundo Oliveira, ocorrida no dia 23 de junho, mas teve o agravamento da doença e não resistiu. Ela deixa o marido e um filho de seis anos.

O pescador Nilson Alves de Oliveira, faleceu na quarta-feira passada, dia 1 de julho. Conhecido por Nilsão, por seu tamanho e força, era um gigante que amava a família e os amigos. Além da pesca, adorava música e era o animador das festas da comunidade e da igreja da Prainha Branca, a capela Nossa Senhora da Imaculada Conceição, com o seu grupo Nilson e Banda. Deixou a mulher e quatro filhos. 

A comunidade ainda têm duas moradoras internadas e mais de 29 casos registrados da doença. Mas, até o fechamento desta reportagem, os números não constavam nas notificações da prefeitura de Guarujá, que mantém um boletim informativo com os números da doença por bairros.



Uma equipe da Usafa Perequê esteve na Prainha Branca por duas vezes, nas últimas semanas; apontou na primeira, dia 17, que havia 25 casos positivos da doença; depois retornou dia 1 e fez novos testes, segundo moradores. Mas ainda não fez as notificações. 

Questionada, no dia 30 de junho, informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que devidamente processados e contabilizados pela Vigilância em Saúde, os novos casos passariam a constar do boletim epidemiológico oficial. A reportagem também questionou sobre as mortes ocorridas em outros municípios e a prefeitura respondeu que não foi notificada. Isabel e Luana Oliveira faleceram em Bertioga e Nilson Alves de Oliveira, em Santos.