Praia é imprópria para banho de mar desde 2017
Reginaldo Pupo
Publicado em 06/03/2019, às 14h33 - Atualizado em 23/08/2020, às 18h54
Uma das mais belas e procuradas praias de Ubatuba, a Praia Dura, localizada ao sul da cidade, vem “colecionando” bandeiras vermelhas da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, desde 2017, quando até aquele ano, geralmente o lugar tinha suas águas apropriadas para o banho de mar.
Desde então, praticamente todas as semanas, moradores e turistas vêm convivendo com a água do mar poluída.
Basta circular de uma ponta a outra para sentir o cheiro característico de esgoto, que acaba sendo despejado clandestinamente com a água da chuva que circula pelas tubulações que chegam até o mar. O ponto mais crítico – e que também tem maior odor – é no lado esquerdo da praia, próximo ao local onde está instalada a bandeira da Cetesb.
A reportagem também flagrou turistas passeando com cachorros na praia, o que é vetado por lei municipal.
Moradores afirmam que o esgoto é despejado por um hotel, que está localizado às margens da rodovia Rio-Santos e a cerca de 200 metros da praia. Eles afirmam que denunciaram o problema à Cetesb, que teria enviado técnicos para realizar uma inspeção no empreendimento hoteleiro, que ainda segundo os moradores, não teria tratamento de esgoto. Eles afirmam que o despejo clandestino de esgoto teria sido constatado pela companhia ambiental.
Doenças de pele
Rafael Baptista Clemente, 41, que frequenta a praia há ao menos oito anos, diz que além do problema do esgoto, há o risco de os frequentadores contraírem doenças. “A maioria das pessoas caminha na praia descalças e muitas não sabem que a água contaminada por esgoto contamina também a areia. Neste verão tivemos alguns casos de turistas que contraíram a doença chamada ´bicho geográfico´. E não foram poucas”, observou.
A Cetesb informou que autuou o hotel em janeiro, por “lançar esgotos sem tratamento adequado em corpo d'água classe 2, com a presença de espumas e odor, podendo tornar as águas impróprias a seus usos, nocivas ou ofensivas à saúde, prejudiciais à segurança, ao uso e gozo da propriedade, bem como às atividades normais da comunidade, causando inconvenientes ao bem-estar público.
À época, a Cetesb determinou prazo de 30 dias para que as adequações fossem feitas, sob o risco de novas responsabilidades. Mesmo assim, nesta quarta-feira, 6, a Praia Dura configurava no boletim semanal da Cetesb como imprópria para o banho de mar.