Celacanto gigante, já considerado extinto, continua firme e forte em águas profundas e silenciosas; acreditava-se que espécie poderia viver 20 anos; novo estudo descobriu que animal chega com facilidade a um século e só atinge maturidade sexual depois dos 55 anos
Da redação
Publicado em 19/06/2021, às 10h02 - Atualizado às 10h18
Cientistas fizeram novas e impressionantes descobertas sobre os celacantos gigantes, espécie que está há milhões de anos nas profundezas marinhas e já foi considerada extinta. A raridade do animal e seu habitat remoto fazem com que esses peixes sejam difíceis de serem estudados, entretanto, um novo estudo sobre a espécie, publicado no jornal Current Biology, revelou que ela tem um ciclo de vida e longevidade incomuns e muito diferentes do que se pensava até agora.
Até então, acreditava-se que os celacantos podiam viver por cerca de 20 anos. Entretanto, pesquisadores que analisaram celacantos africanos (Latimeria chalumnae) acreditam que eles podem chegar facilmente à impressionante idade de 100 anos.
Isso faria dos celacantos africanos, junto dos tubarões de águas profundas, um dos peixes com crescimento mais lento dos oceanos entre os peixes que podem ultrapassar dois metros.
As descobertas de longevidade foram feitas por meio do emprego de luz microscópica polarizada na análise da escama dos animais, o que permitiu determinar com grau confiável de precisão quanto tempo os espécimes viveram.
As revelações se encaixam bem com o que já se sabe sobre as criaturas: elas têm baixa fecundidade (não produzem muitos descendentes rapidamente) e têm metabolismo lento. A estimativa é que a gestação do peixe dure cinco anos, uma das mais longas do reino animal, e que ele só atinja a maturidade sexual depois dos 55 anos.
“O desenvolvimento biológico do celacanto é na verdade um dos mais lentos de todos os peixes ", afirma o biólogo marinho Kélig Mahe, do Instituto IFREMER, da França. Mahé é um dos pesquisadores que estudaram o maior grupo de espécimes de celacanto já coletado.
Ao todo, os pesquisadores analisaram 27 peixes de várias idades. A análise permitiu estimar quando o animal chega à maturidade; dois embriões encontrados permitiram aos cientistas determinar o período de gestação dos celacantos.
Além disso, o celacanto, que há muito tempo é considerado um "fóssil vivo", isto é, uma espécie cujos parentes próximos foram extintos, pode não ser tão isolado assim. Pesquisas recentes têm demonstrado que, apesar de sua peculiaridade, o peixe não é tão isolado do resto da árvore evolutiva quanto se imagina.
A pesquisa foi publicada no Current Biology.
Com informações da publicação Science Alert | David Nield - acesse aqui