MPSP
Publicado em 16/04/2021, às 14h46 - Atualizado às 14h46
O navegador e escritor Amyr Klink inspirou os mais de mil procuradores, promotores, servidores e estagiários do MPSP que acompanharam, na manhã desta sexta-feira (16/4), palestra em que traçou uma série de paralelos entre suas expedições marítimas e a atuação do MPSP. "Não existe ser humano que não possa contribuir com os propósitos do grupo", ensinou Klink no evento "Não Há Tempo a Perder: A Misteriosa Capacidade de Realizar Nossos Sonhos", promovido pela Procuradoria-Geral de Justiça e pela Escola Superior do Ministério Público.
De acordo com ele, compete ao líder, que emula o papel de um capitão de uma embarcação, extrair o melhor de sua equipe. "A vida no barco é muito semelhante à vida de um servidor público", surpreendeu o escritor, referindo-se ao fato de que, no mar, não é possível trocar a tripulação. O navegador, que realizou 25 viagens solitariamente à Antártida, ao Ártico e a diversas outras latitudes, enfatizou o tempo todo, contrariando o senso comum, a importância do trabalho em equipe. "Cada milímetro de um barco tem o esforço de centenas de pessoas", argumentou. Para ele, no MPSP, "uma instituição absolutamente essencial", a complementariedade de competências representa algo vital para que os objetivos sejam alcançados. Ao detalhar os preparativos para uma de suas realizações mais célebres, a travessia de 100 dias do Atlântico em um barco a remo, Klink contou que, na fase do projeto, o engenheiro José Carlos Furia o alertou sobre a impossibilidade de se construir uma embarcação que não capotasse diante de ondas de 15 metros, enfatizando que o navegador estava fugindo do problema, quando na verdade deveria abraçá-lo. Ele tomou aquela advertência como uma lição para a vida inteira e passou a abraçar os problemas. "A profissão de vocês é exatamente essa: abraçar os nossos problemas, os problemas da sociedade", declarou o escritor. Nas nas viagens em que estava sozinho, como naquela em que ficou mais de quatro meses sem ver o luz do sol cercado por gelo na Antártida, Klnk aprendeu, em suas próprias palavras, a ser o seu próprio servidor. "Esse é o significado de servidor: fazer uma espécie de concessão pessoal em favor da sociedade", definiu.
No encerramento do encontro virtual, o procurador-geral de Justiça, Mario Sarrubbo, contou que, na medida em que Klink falava de suas incursões no mar, ia mentalizando o que poderia ser usado na instituição. "Algo que a gente pode extrair da sua fala é a importância da estratégia, a importância do planejamento, trabalhar com todas as variáveis para ter uma trajetória tranquila", disse o PGJ ao navegador, que ele classificou como um ídolo de sua geração. Em 1984, ano da travessia entre a Namíbia e o Brasil no barco a remo, Sarrubbo era um estudante de Direito e, ao lado dos colegas de faculdade, lia nos jornais sobre a contagem regressiva para o término da viagem que daria fama internacional ao brasileiro.
Na abertura do evento, Sarrubbo, que completará um ano de gestão neste sábado, já havia dito se sentir no meio de uma travessia que será vitoriosa, graças ao "trabalho da família Ministério Público". Ele citou diversas iniciativas da instituição para atenuar os efeitos da pandemia nos últimos 12 meses. O diretor da Escola, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, cumprimentou Sarrubbo pelos "números extraordinários". Segundo ele, "o Ministério Público não parou" mesmo em cenário tão adverso. "Temos que nos reinventar", destacou. O diretor-geral do MPSP, Michel Romano, expressou pensamento semelhante. "A hora agora é de inovar. A hora agora é de modernizar", sublinhou. Ele agradeceu a Klink. "É de grande valia para o Ministério Público de São Paulo ouvir pessoas de fora", disse Romano. "Não há tempo a perder", complementou.
Fonte: MPSP