Morre em SC piloto que salvou 38 pessoas ao ajudar pousar avião no mar em São Sebastião, em 1957

Com 23 anos, copiloto notou avião em chamas e sugeriu um pouso de emergência  no mar; atitude ajudou a salvar todos os passageiros e a tripulação

Reginaldo Pupo
Publicado em 22/11/2025, às 15h35

Piloto Heinz Eric Springsklee ganhou fama em 1957 ao salvar 38 pessoas de avião em chamas - Reprodução/Arquivo Pessoal


Morreu no dia 6 de novembro, em um retiro localizado em Pirabeiraba, distrito de Joinville (SC), o piloto Heinz Eric Springsklee, aos 90 anos, de causas não divulgadas.

Ele ficou conhecido em 1957 ao auxiliar no pouso de um avião em chamas, salvando os 30 passageiros e oito tripulantes da aeronave, na praia da Baleia, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo. A morte somente foi divulgada neste fim de semana.

Springsklee tinha apenas 23 anos naquele dia 2 de novembro, quando embarcou em um avião da companhia Real Aerovias, um DC-4 prefixo PP-AXS, empresa na qual trabalhava como copiloto. A aeronave fazia a rota Buenos Aires/Miami, com escalas em São Paulo e Rio de Janeiro.



Cerca de 20 minutos após decolar do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, Springsklee, que viajava na primeira fileira, notou que um dos quatro motores estava em chamas, quando a aeronave sobrevoava a praia da Baleia, localizada na região sul de São Sebastião.

Pouco tempo depois, o motor se desprendeu da fuselagem e caiu, manobra comum nesses casos, para que as chamas não se alastrem para o restante do avião. Mas as labaredas já estavam se alastrando para a fuselagem.

Springsklee, então, sugeriu ao comandante Dálvaro Ferreira Lima que a tripulação realizasse um pouso de emergência no mar, para auxiliar na extinção do fogo e amortecer o impacto. Além disso, o tanque de combustível, que ficava na asa, poderia explodir.



O avião parou nas proximidades da ilha das Couves, cerca de 300 metros da faixa de areia - Reprodução

 

Apesar das dificuldades de controle do avião, que pousou a favor das ondas para não correr o risco de tombar, a manobra foi bem-sucedida, fato considerado por especialistas como raro na aviação brasileira, um pouso forçado no mar, sem danos à aeronave, sem afundamento e sem vítimas.

O avião parou nas proximidades da ilha das Couves, a cerca de 300 metros da faixa de areia. Todos os passageiros e tripulantes sobreviveram, após serem resgatados por pescadores locais em canoas, enquanto aguardavam por socorro sobre as asas chamuscadas.



Alguns tiveram ferimentos leves, como um tripulante que fraturou uma perna e um passageiro que foi arremessado contra a porta da cabine por não estar usando cinto de segurança.

No entanto, todos os 38 envolvidos no acidente tiveram que esperar por horas até serem resgatados pelo barco Itanhaém, que foi contratado para levá-los até o porto de Santos, pois ainda não existia a rodovia Rio-Santos, que hoje corta a região. De Santos, os passageiros seguiram para o Rio de Janeiro em outra aeronave.

Trajetória

Depois do acidente, Springsklee permaneceu trabalhando na aviação civil e foi elevado ao posto de piloto, quando passou a comandar voos nacionais por oito anos. Ele ficou desempregado após a companhia Real Aerovias falir, no final da década de 1960. Sem muitas opções no Brasil, decidiu se mudar para a Alemanha para cursar engenharia mecânica.



Na volta para o Brasil, cinco anos depois, passou a trabalhar na área de mecânica industrial e virou gerente de engenharia da fábrica internacional de motores ZF, em São Paulo, onde ficou por 33 anos até se aposentar.

Springsklee se mudou com a família para Curitiba, onde costumava reunir os antigos amigos da aviação. Ele ainda tinha uma casa em Witmarsum, colônia de antigos imigrantes alemães perto de Curitiba.

Nos últimos tempos, mantinha uma rotina saudável, com caminhadas de cinco quilômetros por dia. Recentemente, caiu em casa e passou a ter problemas de locomoção. Foi levado para viver em um retiro em Pirabeiraba, perto de Joinville (SC), e morreu lá menos de um mês depois, na quinta-feira, dia 6 de novembro, aos 90 anos.



Ele deixa a mulher, Karin Springsklee, os filhos Markus e Martin, e os netos Lukas, Isabella, Cora e Louis, que moram na Alemanha.

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