Moradores fazem abaixo-assinado contra feira-livre do Centro

Costa Norte
Publicado em 30/06/2017, às 12h44 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h49

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Residentes da rua Antonio Rodrigues de Almeida pedem mudança de local para feira

Mais de 70 moradores da rua Antonio Rodrigues de Almeida, no centro de Bertioga, assinaram um abaixo-assinado para pedir a mudança de local e fiscalização da feira-livre situada na via. De acordo com o documento, os feirantes não respeitam os horários estabelecidos, e o tamanho das barracas atrapalha o trânsito local; por não possuírem banheiros, os feirantes utilizam a via para fazer suas necessidades.

Residente no local há 17 anos, o aposentado José Umberto Baisi ficou incomodado quando a feira saiu da rotatória e adentrou a rua, no fim de 2016. "Tem vezes que eles chegam lá meia-noite, fazendo barulho de montagem a noite inteira, nós não conseguimos dormir. Fora que não conseguimos utilizar nossos carros, ficam presos.  Perdemos nosso direito de ir e vir", desabafou.



A casa da aposentada Kazuko Suzuki, de 75 anos, fica em frente a uma barraca de frutas. "Eu tenho dificuldades para sair de carro. A minha irmã deixa o carro dela na outra rua,  caso tenha alguma emergência. Mas a pé é difícil também, eles deixam várias caixas e sujeira na minha calçada".

Alberto da Costa Santana, síndico de um dos prédios da rua, o Condomínio Dream Life, ouve reclamações novas toda semana. "O maior problema é o barulho, os moradores não conseguem dormir durante a noite. A nossa calçada também virou uma bagunça, eles deixam caixas e caixas, sujeira e ninguém consegue passar. Nas sextas-feiras, os proprietários que moram em outras cidades começam a chegar e não conseguem entrar. É um absurdo!", relata.

No documento, autenticado em cartório em 13 de março, eles ainda sugerem outros pontos para implantação da feira, como a praça Soroptimista de Santos, na Vila Clais; o segundo trecho da avenida 19 de Maio, em lado do Supermercado Krill, no Albatroz; ou ainda ao lado da travessia de balsas, na avenida Vicente de Carvalho.



Entre os feirantes, o caso divide opiniões. Os permissionários de barracas mais ao fundo da rua reclamam da falta de visibilidade. "Pra nós, é ideal voltar onde estávamos, a visualização do turista e do próprio morador era melhor, aqui estamos escondidos", critica Silvio Luiz Francisco, responsável por uma barraca de laticínios e salgados. A pasteleira Mayumi Kauageuth Tcukazn reclama da queda nas vendas após a mudança de local. "Piorou muito, meu movimento caiu 30% depois que mudou".

Já alguns permissionários de barracas de frutas e verduras gostaram da mudança, em grande parte porque puderam aumentar em até três vezes o tamanho de suas barracas. José Luiz de Moraes, por exemplo, tem uma barraca de verduras e legumes e gostou do local por ser maior. E Wesley Eugênio Pimenta Gonçalves, da barraca de frutas, sentiu-se lesado com o abaixo-assinado. "Parece que não querem a gente aqui, a gente está aqui pra melhorar o bairro de todo mundo. Isso é uma falta de ética e respeito com a gente, estamos aqui há anos, já tiraram a gente da rotatória, não podem tirar a gente daqui de novo", disse exaltado.

Questionada, a prefeitura de Bertioga respondeu que a Diretoria de Abastecimento recebeu o abaixo-assinado e as sugestões de endereço, mas informou que "as feiras-livres geram reclamações de moradores não só em Bertioga, mas na maioria dos municípios em que são montadas. Alguns municípios criaram locais públicos adequados, que não atrapalham o trânsito, e muito menos os moradores. Em outros, são discutidas compensações aos moradores diretamente impactados".



Informou também que, ao tirar a feira do local e levar para outro, significaria transferir a queixa do lugar sem discutir a redução de impactos. Em alguns lugares sugeridos pelo abaixo-assinado não será possível, nem por parte da prefeitura e nem dos feirantes.

No Boletim Oficial do Município (BOM), do dia 24 de junho, o diretor de Abastecimento pede cópias dos IPTUs. Segundo ele, para anexar ao processo e facilitar a identificação dos proprietários ou seus representantes, afim de enviar um convite para uma reunião com representantes dos permissionários feirantes e a prefeitura, tentando um possível acordo, ainda sem data definida.

Marina Aguiar



Foto: JCN