Moradores de rua em foco em encontro intersetorial em Bertioga

Estela Craveiro
Publicado em 20/11/2017, às 10h33 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h58

- Estela Craveiro


O objetivo da Secretaria de Desenvolvimento Social é integrar esforços do poder público, da iniciativa privada, da sociedade civil e de entidades assistenciais

Por si só, a realização do 1° Encontro entre Autoridades, Empresários, Sociedade Civil e Entidades Assistenciais, na noite de sexta-feira, 17, no Sesc, já se constituiu em um primeiro passo para avançar frente ao problema das pessoas em situação de rua, comum em todo o país, mas mais expressivo em cidades litorâneas. Participaram cerca de 50 pessoas.

Estiveram no encontro, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Emprego e Renda de Bertioga, os secretários Taciano Goulart, de Justiça e Cidadania, Ney Carlos, de Turismo, Esporte e Cultura, o presidente da Câmara Municipal, Ney Lyra, o delegado José Aparecido Cardia, psicólogos, assistentes sociais e funcionários de diversos setores da prefeitura de alguma forma conectados ao tema, entidades assistenciais e empresários.

Luci Cardia, diretora de proteção especial, organizadora do encontro, avalia o resultado como positivo: "Foi um começo. A gente tem que se unir, sempre convidar as pessoas, é um pedido do secretário de Desenvolvimento Social e do prefeito Caio Matheus que esses encontros sejam constantes, e trazer políticas públicas, que é o que estamos tentando fazer. Se a sociedade nos ajudar, participando e conversando com outros comerciantes, será muito bom”.



Para o secretário Taciano Goulart, o importante é colocar o assunto em pauta: “A Secretaria de Desenvolvimento Social e o prefeito Caio Matheus estão de parabéns. Muitas vezes, as cidades preferem abafar esse assunto. Tratar o problema de forma bastante transparente e provocar a discussão é a melhor forma para que poder público e sociedade possam, juntos, achar o melhor caminho”.

Fernando Moreira de Oliveira, secretário de Desenvolvimento Social, busca a integração intersetorial a fim de trazer melhorias para a situação: “É um tema delicado, uma questão complexa, mas não existe outra maneira de enfrentar a situação senão discutir isso com todos os setores da sociedade e com todas as áreas do poder público. A gente move um esforço grande em serviços municipais e há iniciativas importantes da sociedade, só que, hoje, acontecem de forma isolada”.

Alguns números dão ideia da progressão do problema. Por causa da demanda, o Albergue Municipal ampliou suas vagas de 20 para 40, constantemente ocupadas. De janeiro a outubro de 2017, o Albergue Municipal e a Casa de Passagem Renascer atenderam 1.023 pessoas, 906 do sexo masculino e 117 do sexo feminino. Mais da metade tem idade entre 30 e 59 anos.



Do total, 45 foram encaminhadas para a rede de atendimento, nos segmentos de saúde, serviço social e documentação, e 42 foram encaminhadas para a reinserção familiar. No período, foram oferecidos 10.466 banhos, 6.631 cafés da manhã, 5.104 almoços, 6.508 jantares, 7.066 pernoites e 312 traslados.

Nos dez primeiros meses de 2017, 393 pessoas estiveram no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), mas somente 33 pessoas quiseram ser inseridas em serviços de acompanhamento. A maioria das outras 360 pessoas estava apenas de passagem por Bertioga. O sexo masculino representa 73% do total, e as faixas etárias predominantes são de 30 a 59 anos, em primeiro lugar, e de 18 a 29 anos em segundo.

Os dados e o contato direto com as pessoas que passam pelos serviços socioassistenciais da prefeitura mostram que o perfil desse público é um pouco diferente do que se imagina. De acordo com Luci Cardia, os reais moradores de rua são minoria. Há os chamados escondidinhos, foragidos do sistema penitenciário que buscam se ocultar entre os outros, e as pessoas em situação de rua, à procura de acolhimento. Mas a maioria são os chamados trecheiros, andarilhos a caminho de outras localidades, que ficam poucos dias na cidade. O que torna o problema mais complicado, dada a liberdade de ir e vir garantida a todos os cidadãos pela Constituição brasileira.



Estela Craveiro

foto: Diego Bachiéga/PMB