Vendas e aluguéis de imóveis da Baixada Santista registraram retração nos primeiros meses do ano aponta levantamento do Creci-SP
Lenildo Silva
Publicado em 04/06/2025, às 09h25
Os números do mercado imobiliário, no litoral de São Paulo, indicam queda significativa no volume de vendas e locações nos primeiros meses de 2025, conforme dados do Creci-SP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis), divulgados na semana passada. Entre janeiro e abril, as vendas de imóveis apresentaram retração de 4,41%, enquanto as locações sofreram diminuição ainda mais expressiva, de 39,17%, em comparação com março do mesmo ano.
O estudo abrangeu 49 imobiliárias de nove cidades da Baixada Santista: Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente. De acordo com o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, os números refletem um cenário de ajustes após o crescimento acelerado registrado em 2024. “A retração nas vendas e locações está diretamente ligada ao cenário econômico atual e à dificuldade de acesso ao crédito, que continua impactando a capacidade de compra e aluguel das famílias", afirmou Viana Neto.
Uma das causas apontadas para a queda nas vendas é o alto índice das taxas de juros. “A dificuldade em acessar o crédito imobiliário, com juros elevados e exigências rígidas, tem forçado muitas pessoas a postergar a compra da casa própria", comentou o presidente. Viana Neto também explicou que a diminuição nas locações pode ser reflexo da dificuldade de muitas famílias em arcar com os valores de aluguel mais altos, o que as obriga a buscar imóveis mais baratos, especialmente nas periferias.
Apesar da queda nas vendas e locações, o mercado de imóveis de alto padrão continua a se destacar em algumas regiões, segundo os dados do conselho. Cidades como Santos e Guarujá seguem com grande volume de transações de imóveis mais caros, com destaque para apartamentos e casas de luxo. No entanto, a demanda por imóveis de valores mais acessíveis ainda representa a maior fatia do mercado, especialmente em áreas periféricas.
Viana Neto também destacou a importância de ações públicas e privadas para estimular o mercado imobiliário, como a redução das taxas de juros e a criação de incentivos para investidores no setor de locação. "Se conseguirmos atrair mais investidores para o mercado de locação, isso pode ajudar a equilibrar a oferta e demanda, tornando os aluguéis mais acessíveis", sugeriu o presidente do Cresci-SP.
Em relação às vendas de imóveis, 42% das transações envolveram casas e, 58%, apartamentos. As casas vendidas eram predominantemente de 2 dormitórios, com área útil entre 101m² e 200m², enquanto os apartamentos tinham entre 51m² e 100m² de área útil. No setor de locações, 59% das casas foram alugadas e 41% dos apartamentos. Além disso, os imóveis alugados apresentaram preços que variaram principalmente entre R$ 1.000 e R$ 2.000, com a maior parte dos novos contratos de locação ocorrendo em bairros periféricos, onde os imóveis são mais baratos.
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