Programa Guardiões das Florestas destina recursos para ações de conservação; áreas de TIs da Baixada Santista e litoral norte estão na lista
Lenildo Silva
Publicado em 15/08/2026, às 12h07
O litoral de São Paulo terá 11 Territórios Indígenas (TIs) entre os 20 selecionados na terceira fase do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Guardiões das Florestas. A iniciativa do governo de São Paulo, por meio da Fundação Florestal, prevê investimento total de R$3,45 milhões para ações de conservação ambiental e remuneração de agentes indígenas.
A lista inclui territórios em Ubatuba, Bertioga, São Sebastião, São Vicente, Itanhaém e Peruíbe. Alguns abrangem mais de um município, como a TI Guarani do Ribeirão Silveira, localizada em Bertioga, São Sebastião e Salesópolis, e a TI Serra do Itatins, entre Itariri e Peruíbe.
Entre os contemplados estão TI Bananal e TI Piaçaguera, em Peruíbe; TI Boa Vista do Sertão do Promirim e TI Ywyty Guaçu Renascer, em Ubatuba; TI Guarani do Ribeirão Silveira, que abrange Bertioga e São Sebastião; TI Paranapuã, em São Vicente; TI Nhanderekoa e TI Poty'i, em Itanhaém; e TI Serra do Itatins, que inclui Peruíbe. A relação também contempla TI Pakurity/Ilha do Cardoso, em Cananeia, e os territórios TI Amba Porã e TI Djaiko Aty, em Miracatu.
A nova fase amplia a presença do programa no litoral paulista. Segundo o governo estadual, comunidades de Itanhaém estão entre as que ingressam pela primeira vez. As TIs Nhanderekoa e Poty'i aparecem como novas no resultado divulgado.
Sete dos 20 territórios selecionados nesta fase são inéditos no programa, enquanto 13 dão continuidade às ações desenvolvidas nas etapas anteriores. Os planos de trabalho terão duração de 12 meses.
Os recursos poderão financiar ações de monitoramento e proteção territorial, prevenção e combate a incêndios florestais, pesquisas sobre biodiversidade, restauração de ecossistemas e manejo da vegetação nativa. O programa também contempla iniciativas de valorização cultural e turismo socioambiental de base comunitária.
Cada comunidade poderá receber repasses de até R$600 mil, conforme os planos de ação, para execução das atividades e remuneração de agentes ambientais. A terceira fase recebeu 26 inscrições válidas e selecionou 20 territórios.
O diretor-executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz, afirma que a expansão fortalece a participação das comunidades indígenas nas políticas ambientais. “O fortalecimento do PSA Guardiões das Florestas demonstra que a conservação da biodiversidade e a resiliência climática no estado paulista dependem diretamente do reconhecimento e da autonomia das comunidades que vivem nos territórios”.
Criado em 2022, o PSA Guardiões das Florestas acumula mais de R$6,4 milhões em investimentos, segundo o Governo de São Paulo. A primeira fase, desenvolvida entre 2023 e 2024, destinou R$600 mil a oito territórios, com 134 famílias atendidas e 139 agentes mobilizados.
Na segunda fase, entre 2025 e 2026, foram destinados R$2,41 milhões para 14 territórios, com 433 agentes e 837 famílias beneficiadas.
O balanço acumulado do programa aponta 1.873km percorridos em rondas comunitárias, retirada de 425 sacos de resíduos e outros 835km percorridos em pesquisas sobre biodiversidade. Também foram plantadas 15 mil mudas nativas e produzidas outras 7.640 em viveiros locais.
Na área cultural e socioeconômica, o programa contabiliza 116 encontros de qualificação intercultural, com mais de 730 participantes, e 66 visitas de turismo socioambiental de base comunitária, que receberam mais de 1.500 visitantes.