Movimento pressiona autoridades e pode afetar exportações, preços e abastecimento em diferentes regiões
Lais Seguin
Publicado em 25/03/2026, às 11h58
A greve no Porto de Santos começou às 8h desta quarta-feira (25), com paralisação organizada por caminhoneiros, em Cubatão (SP). O movimento reúne transportadores contra cobranças nos acessos logísticos e busca pressionar mudanças no modelo atual.
A paralisação foi convocada pelo sindicato que representa transportadores de Santos, Guarujá e Cubatão, o Sindgran. A concentração está prevista para o Pátio Regulador de Cubatão.
A expectativa é reunir cerca de 5 mil caminhoneiros, em ato que deve ocorrer dentro da área do pátio. A organização informou que não haverá bloqueio de rodovias.
O sindicato comunicou autoridades locais antes do início do movimento. Entre os órgãos notificados estão prefeituras, polícia e responsáveis pelo trânsito.
Outras informações também estão disponíveis no site da Anatc (Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas).
A mobilização foi anunciada como ação pontual. O prazo inicial é de 24 horas, no entanto, a entidade não descarta ampliar o movimento.
Caso não haja avanço nas negociações, a paralisação pode ser estendida para 48 ou até 72 horas; decisão depende de diálogo com empresas e terminais.
O principal motivo da greve no Porto de Santos é a cobrança pelo uso dos pátios reguladores, áreas destinadas a organizar o fluxo de caminhões na entrada do porto.
Na prática, os motoristas precisam aguardar nesses locais até receberem autorização de acesso aos terminais. A cobrança passou a ser exigida como condição para participar das operações.
Segundo o sindicato, os valores incluem taxa de entrada e cobrança por permanência. Em alguns casos, o custo pode chegar a cerca de R$ 800 em 24 horas.
Os transportadores afirmam que a despesa reduz o lucro das viagens. O valor pago ao pátio se soma a outros custos, como combustível e manutenção.
O aumento do diesel também pressiona o setor. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis indicam variações frequentes no preço do combustível, o que afeta diretamente o frete.
O sindicato defende que a responsabilidade pelo pagamento deve ser dos terminais portuários. Para a categoria, o modelo atual transfere o custo ao trabalhador.
Os pátios reguladores são áreas criadas para controlar o fluxo de caminhões, a fim de evitar congestionamentos nas rodovias próximas ao porto.
Nesses locais, os veículos aguardam a liberação conforme a programação das cargas. O sistema busca reduzir filas e organizar a logística urbana.
Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres, a gestão de fluxo é essencial em regiões portuárias com alto volume de carga. Apesar disso, caminhoneiros questionam o modelo de cobrança. Eles afirmam que o serviço deveria ser integrado ao custo das operações portuárias.
Mesmo sem bloqueios, a concentração de veículos pode afetar o ritmo das operações. O Porto de Santos é o maior da América Latina e concentra grande volume de cargas. Paralisação deve influenciar principalmente o tempo de espera para embarque e descarga e as empresas podem registrar atrasos ao longo do dia.
O sindicato afirma que a manifestação será pacífica e a orientação é manter a ordem e respeitar as autoridades durante o ato. O movimento segue aberto à negociação, já que a categoria busca uma solução rápida para a cobrança e avalia os próximos passos conforme o resultado das conversas sobre a greve no Porto de Santos.
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