Golfinho é encontrado morto com chinelo preso ao focinho

Costa Norte
Publicado em 21/06/2017, às 14h58 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h49

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Instituto Argonauta, de Ubatuba, constatou a ligação entre o chinelo e a morte do animal

O Instituto Argonauta, de Ubatuba, constatou que a morte de um golfinho (Sotalia guianensis) encontrado há duas semanas na Praia do Sapê tem ligação com uma tira de chinelo presa ao focinho do animal. O laudo foi divulgado por uma equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), do Instituto Argonauta .

A necropsia do animal foi realizada no mesmo dia do atendimento e chegou a conclusões estarrecedoras. "Foi constatada a morte do indivíduo em função de uma tira de chinelo, que provavelmente, permaneceu preso ao golfinho por meses, levando a inanição e uma grave infecção", diz o laudo.



Ainda segundo o laudo inicial, a interação antrópica (causada pelo homem), por resíduo sólido (tira de borracha do chinelo), presa na região rostral (focinho) do golfinho gerou uma lesão muito grave no maxilar superior, impedindo o animal de se alimentar. Levando-o a uma desnutrição severa e, consequentemente, a morte.

Segundo Carla Beatriz Barbosa, coordenadora do PMP-BS no Instituto Argonauta, a cena chocou a equipe e causou comoção da comunidade local. "As pessoas que viram estavam realmente inconformadas”.

O instituto afirma que o caso dá luz à importância sobre a conservação do ambiente marinho, já que a poluição está entre as principais causas de mortalidade da fauna, perdendo apenas para a pesca predatória, na qual milhares de espécies morrem por ficarem presas acidentalmente nas redes.



O oceanógrafo e presidente do instituto, Hugo Gallo, alerta para a divulgação deste tipo de ocorrência. “Casos ruins como este são chocantes, mas precisamos e devemos divulgar para que as pessoas saibam que até um simples chinelo esquecido na beira do mar pode levar à morte um animal marinho ameaçado de extinção”. Explica Hugo Gallo,.

Segundo Gallo, não é o primeiro caso do gênero. “No Museu da Vida Marinha, no Aquário de Ubatuba, temos um peixe espadarte (Xiphias gladius) morto por um carretel de pesca preso a boca”, relembra Gallo.

O PMP-BS é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural no Pólo Pré-Sal da Bacia de Santos. O projeto é conduzido pelo IBAMA e coordenado pela  Univali  sob a responsabilidade do  Instituto Argonauta  no litoral norte do estado de São Paulo.



Foto: Divulgação/Instituto Argonauta