Moradores foram à Câmara e à prefeitura cobrar soluções para o desabastecimento; Sabesp reconheceu falhas, anunciou medidas emergenciais e criou comitê de crise com o município
Geilton Junior
Publicado em 05/08/2026, às 10h10
Moradores de Guarujá fizeram um protesto na quarta-feira (5), para cobrar providências diante da falta de água que atinge diversos bairros da cidade há vários dias. A mobilização começou em frente à Câmara Municipal e, em seguida, os manifestantes seguiram até o paço municipal, onde pediram resposta do poder público e da Sabesp, concessionária responsável pelo abastecimento de água no município.
O ato reuniu dezenas de moradores, que carregavam cartazes e cobravam medidas urgentes para normalizar o fornecimento. Entre as principais reclamações estavam o longo período sem abastecimento, os transtornos enfrentados pelas famílias e os prejuízos à rotina da população. Os participantes afirmaram que muitas residências permanecem sem água ou recebem o serviço de forma intermitente.
Durante a manifestação na prefeitura, o presidente da Sabesp esteve em reunião no gabinete do prefeito Farid Madi. Um dos momentos mais marcantes do protesto foi a participação da mãe de uma criança que morreu em um incêndio, no domingo (2), em Vicente de Carvalho.
Emocionada, ela acompanhou o ato ao lado dos demais moradores. Segundo os manifestantes, a falta de água teria dificultado o combate às chamas no momento da ocorrência, argumento utilizado durante o protesto para reforçar as cobranças por melhorias no abastecimento.
A prefeitura de Guarujá informou que criou um comitê de crise para acompanhar a situação e buscar soluções emergenciais em conjunto com a Sabesp, responsável pelo serviço de abastecimento no município.
A comissão reúne representantes da administração municipal, da concessionária, da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), da Unidade Regional de Saneamento Básico 1 (Urae 1) Sudeste e da Câmara de Vereadores.
Durante a reunião, a Sabesp reconheceu falhas no sistema e apresentou um plano de ação para reduzir os impactos da falta de água. Entre as medidas anunciadas estão o reforço do abastecimento por caminhões-pipa, a criação de um canal exclusivo de atendimento para consumidores de Guarujá e a aceleração das obras da travessia subaquática entre Santos e Guarujá.
Segundo a empresa, a obra tem como objetivo ampliar a oferta de água para o município, com a transferência de água produzida na estação de tratamento de água (ETA) de Cubatão por uma tubulação instalada sob o canal do porto de Santos. A previsão informada pela Sabesp é que a intervenção seja concluída em até 40 dias.
A travessia terá 5,56 quilômetros de extensão, incluindo 700 metros de tubos submersos, e deverá aumentar a capacidade de abastecimento em 500 litros por segundo, beneficiando moradores de Guarujá e região.