Estudo confirma eficácia de planta do litoral brasileiro contra artrite e dores

Pesquisa com a 'periquito-da-praia' valida uso popular, mas cientistas alertam que aplicação clínica ainda depende de novos testes

Redação
Publicado em 13/12/2025, às 15h26

Planta nativa tem ação anti-inflamatória comprovada pela ciência - Fabrício Riella/iNaturalist


A ciência acaba de validar o que a sabedoria popular já indicava. Estudo colaborativo entre  pesquisadores da Unesp, Unicamp, UFGD e Unigran confirmou que a planta Alternanthera littoralis, popularmente conhecida como periquito-da-praia, possui propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e antiartríticas.

A espécie, nativa do litoral brasileiro, é utilizada tradicionalmente para combater inflamações e infecções, mas, até agora, existiam poucas evidências farmacológicas que sustentassem essas aplicações com segurança. O trabalho foi publicado no renomado Journal of Ethnopharmacology.

Resultados promissores

O estudo se dividiu em etapas. Primeiro, o farmacêutico Marcos Salvador (Unicamp) identificou os compostos bioativos da planta. Em seguida, a equipe da farmacologista Candida Kassuya (UFGD) testou a eficácia em modelos experimentais.



Os testes em animais mostraram resultados significativos: o extrato da planta reduziu edemas (inchaços), melhorou a condição das articulações e modulou mediadores inflamatórios, sugerindo também uma ação antioxidante.

"Nos modelos experimentais, observamos redução do edema e melhora dos parâmetros articulares", detalha Arielle Cristina Arena, professora da Unesp de Botucatu e coordenadora das análises toxicológicas.

Alerta de cautela

Apesar do desfecho encorajador, os pesquisadores alertam que ainda não é possível recomendar o uso clínico imediato.



Para que a planta se transforme em medicamento seguro, são necessárias novas análises toxicológicas, estudos clínicos em humanos e padronização do extrato, para garantir a dosagem correta. O objetivo final é o desenvolvimento de fitoterápicos seguros e regulamentados.

Nosso propósito é valorizar a biodiversidade brasileira e o conhecimento tradicional, mas com base científica rigorosa", afirma a professora Arielle. O estudo contou com apoio da Fapesp.


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