Em 2022, Instituto Argonauta atendeu mais de mil ocorrências no Litoral Norte

Ocorrências atendidas pela instituição em todo o litoral norte de São Paulo engloba aves, mamíferos e tartarugas marinhas

Da redação
Publicado em 04/01/2023, às 19h02

Animais que são atendidos e se recuperam em reabilitação, são devolvidos a seu habitat natural Em 2022, Instituto Argonauta atendeu mais de mil ocorrências no litoral norte envolvendo animais marinhos aves - Foto: Divulgação/Instituto Argonauta


O ano de 2022 foi de muito trabalho para o Instituto Argonauta em todo o Litoral Norte de São Paulo.

O Instituto faz parte do grupo de instituições que executam o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.

No âmbito do projeto, o Instituto Argonauta atendeu neste ano um total de 1.288 ocorrências envolvendo cerca de 30 espécies de animais marinhos em toda a extensão do litoral norte de SP, entre animais vivos (18%) e mortos (81%).



Segundo os dados da instituição, do total, o grupo que teve maior atendimento de ocorrências foi o de tartarugas-marinhas. Foram 794 atendimentos, destes, cerca de 2% das ocorrências envolvem animais vivos, e 98% animais mortos. Já o grupo de aves marinhas, representou 382 ocorrências do total, sendo 27% de animais vivos e 73% de mortos e, por fim, o grupo de mamíferos teve um total de 112 ocorrências, com 3% de animais vivos e 97% mortos.

O destaque de atendimentos neste ano vai para o grupo de mamíferos, em especial para as toninhas (Pontoporia blainvillei) - a espécie de golfinho mais ameaçada do Brasil, classificada como espécie vulnerável pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção, da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) e como “criticamente em perigo” pelo Ministério do Meio Ambiente do Brasil (Portaria 148/2022).

Neste ano, foi registrado um total de 64 ocorrências envolvendo animais mortos desta espécie, o maior número de ocorrências contabilizado pela instituição nos últimos 5 anos.



“As toninhas são reconhecidas por serem um dos menores golfinhos do mundo, e vivem cerca de 21 anos. Por viverem perto da costa, as toninhas acabam tendo uma forte interação com a pesca. A poluição marinha também é uma forte ameaça que afeta as toninhas, pois muitas morrem com a presença de diversos resíduos gerados pelo homem em seus estômagos. Através do Projeto de Monitoramento de Praias e das avistagens realizadas pelo monitoramento embarcado, o Instituto Argonauta coleta dados essenciais para subsidiar propostas de ações de conservação à espécie. Ações individuais e diárias são essenciais para contribuir com a conservação marinha!”, explica a bióloga Carla Beatriz Barbosa, coordenadora do PMP-BS no trecho 10 do Instituto Argonauta.

Seguindo o “ranking” do grupo de mamíferos marinhos, o maior atendimento contabilizado pelo Instituto Argonauta neste ano depois das toninhas, foi do boto-cinza (Sotalia guianensis); seguido por golfinho-pintado-do-atlântico (Stenella frontalis), baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) e, por fim, o golfinho-comum (Delphinus delphis). Com o destaque para a visita ilustre do elefante-marinho (Mirounga leonina), que foi monitorado pela equipe no início de 2022, na região norte de Ubatuba.

Em relação ao grupo de aves marinhas, o maior número de atendimentos foi da espécie pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) em 2022. “Historicamente é a ave marinha que mais atendemos há anos”, explica Hugo Gallo Neto, Presidente do Instituto Argonauta e Diretor Executivo do Aquário de Ubatuba.



“O pinguim-de-magalhães é uma espécie encontrada na Patagônia Argentina e Chilena e nas Ilhas Malvinas e, todos os anos, migram em busca de alimento, mas parte deles acaba se perdendo do grupo e são encontrados em nossas praias” complementa Gallo.

Logo em seguida, a espécie biguá (Nannopterum brasilianum), superou as ocorrências do atobá-pardo (Sula leucogaster), que apareceu em terceiro lugar, seguidos do bobo-pequeno (Puffinus puffinus) e, a ave marinha bobo-grande-de-sobre-branco (Puffinus gravis) que também aparece com destaque, pois, foi o ano de maior ocorrência dessa espécie.

No grupo das tartarugas marinhas, foram atendidas durante o ano pelo Instituto Argonauta as cinco espécies que ocorrem no Brasil. A maior espécie que contabilizou atendimento, segue sendo a tartaruga-verde (Chelonia mydas), seguida da tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) depois pela tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) e da tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) e, por fim, tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) que por ser uma espécie mais oceânica dificilmente é avistada por aqui.