Dia 9 de julho é feriado ou ponto facultativo? Entenda a data

Data lembra a Revolução Constitucionalista de 1932, um levante armado do estado de São Paulo contra o governo provisório de Getúlio Vargas

Esther Zancan
Publicado em 05/07/2024, às 10h10 - Atualizado às 10h23

Dia 9 de julho é feriado em SP há 27 anos - Divulgação/Governo de SP


Em um ano com escassos feriados, a boa notícia, ao menos para os paulistas, é que a próxima terça-feira, dia 9 de julho, é feriado no estado de São Paulo. E, por cair em uma terça-feira, será um feriado prolongado, algo que só teremos novamente em novembro, no feriado da Proclamação da República (15 de novembro, uma sexta-feira). Mas, será mesmo que o 9 de julho é um feriado oficial ou apenas mais um ponto facultativo?

A data, que lembra a Revolução Constitucionalista de 1932, foi instituída como feriado em todo o estado de São Paulo em 1997, portanto há 27 anos, pelo então governador Mário Covas. A data é um feriado de fato, apenas sua abrangência não é nacional, é apenas no território paulista.

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Por feriado entende-se que o setor privado e também parte do setor público paralisam as atividades obrigatoriamente. Apenas os serviços essenciais permanecem em funcionamento. Os demais até podem funcionar, mas, normalmente, o funcionário tem direito a uma remuneração em dobro pelo dia trabalhado, conforme o acordo coletivo de cada categoria. 

Já o ponto facultativo é uma data instituída por lei na qual se permite a dispensa do trabalho, embora não seja obrigatória. Cabe a cada empresa decidir se vai ou não manter seu funcionamento normal. Neste ano, a segunda-feira (8) será considerada ponto facultativo no estado de São Paulo. 

Revolução Constitucionalista

A Revolução Constitucionalista  de 1932 foi um levante armado do estado de São Paulo contra o governo provisório de Getúlio Vargas, instituído dois anos antes, por meio de um golpe de Estado. A revolta eclodiu no dia 9 de julho de 1932 e reivindicava uma nova Constituição (daí o nome Constitucionalista) e novas eleições presidenciais. 



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Quando Vargas assumiu o poder, em 1930, ele anulou a Constituição de 1891, fechou o Congresso Nacional, extinguiu os partidos políticos e nomeou interventores para os estados, o que, por muitas vezes, não agradou políticos locais, caso de São Paulo, o que começou a gerar insatisfação e protestos.

Em 23 de maio de 1932, uma manifestação contra o governo de Vargas culminou na morte de quatro estudantes: Mário Martins Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade. Surgiu desse acontecimento um movimento com as iniciais dos quatro estudantes mortos, o MMDC, que teve papel importante na mobilização para a luta, já que a violência contra os manifestantes fez aumentar o apoio da classe média do estado à causa constitucionalista e contra o governo de Getúlio Vargas. 



Cartaz convocando a população à luta e cartão-postal postal em homenagem ao MMDC - Reprodução/Wikipédia/Wikimedia Commons 

 

São Paulo contou, até o início do confronto, com o apoio dos estados de Mato Grosso e Rio Grande do Sul, também estavam insatisfeitos com o governo de Vargas. Mas, quando a revolução enfim começou, os dois estados escolheram ficar do lado de Vargas. Foi em 9 de julho de 1932 que teve início a luta armada. Jovens foram convocados para lutarem nos campos de batalha. Sem o apoio dos mato-grossenses e dos gaúchos, os paulistas lutaram sozinhos. 

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Em 1º de outubro de 1932, às vésperas de se completarem quatro meses de conflito, os paulistas se renderam, pois não contavam mais com soldados e nem provisões suficientes para seguir na batalha contra o governo de Vargas. Registros oficiais dão conta de 934 mortos no combate, mas existem versões de que houve um número muito maior de vítimas fatais.

Soldados paulistas prestes a embarcar em trem - Reprodução/Wikipédia/Wikimedia Commons 

 

Apesar da derrota paulista, em 1933 foi realizada a Assembleia Nacional Constituinte, para a elaboração da nova Constituição brasileira. O Congresso Nacional também foi reaberto e os partidos políticos voltaram a atuar. Getúlio Vargas foi eleito presidente de forma indireta, o que colocou um ponto final do período do governo provisório. 



Com informações de Brasil Escola



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