Detectores de metais atraem adeptos em busca de relíquias e objetos perdidos nas praias do litoral norte

Novos “caçadores de tesouros” investem em equipamentos sofisticados para buscar relíquias e curiosidades na areia

Reginaldo Pupo
Publicado em 19/05/2026, às 10h00

Munido de detector de metal e rastelo, para filtrar a areia, Anísio já encontrou um celular - Reginaldo Pupo


Assim que o Sol nasce, o bancário aposentado José Gilberto de Freitas Alves, 68, sai de sua casa no bairro Massaguaçu, em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, munido de seu detector de metal, para, literalmente, “varrer” a areia da praia com seu equipamento, em busca de objetos que podem render, com sorte, dinheiro extra.

José Gilberto integra um grupo de exploradores que ganha cada vez mais adeptos no Brasil. Enquanto moradores e turistas aproveitam as praias para o banho de mar, caminhar ou tomar Sol, os novos “caçadores de tesouros” transformam a faixa de areia em um verdadeiro campo de exploração. Munidos com os equipamentos, eles percorrem praias em busca de objetos perdidos, relíquias antigas e curiosidades escondidas sob a areia.

Os praticantes costumam sair cedo, principalmente após finais de semana movimentados ou grandes eventos nas praias, períodos em que aumentam as chances de encontrar moedas, alianças, correntes, relógios e outros itens esquecidos ou perdidos pelos banhistas. Há também quem se dedique à atividade em busca de peças históricas, como moedas antigas e objetos metálicos que ajudam a contar parte da história de cidades litorâneas.



Além dos equipamentos eletrônicos, os “caçadores de tesouro” modernos também utilizam uma espécie de rastelo, para filtrar a areia e reter objetos não metálicos e, portanto, não captados pelos rastreadores.

Curiosidade

José Gilberto diz que se diverte com a curiosidade das pessoas enquanto pratica seu hobby, atraídas pelos sons emitidos pelo detector, semelhantes a um bip, que lembram antigos radares de filmes e submarinos. “As perguntas que (as pessoas) mais fazem é o que consigo achar na areia e o que faço depois com os objetos”.

Apesar de considerar seu trabalho um mero hobby, o aposentado admite que torce para localizar anéis ou alianças de ouro para revender. No entanto, os únicos anéis que achou até hoje são os de latinhas de refrigerante. “Mais de 70% do que consigo encontrar são tampinhas de latinhas. Para ganhar algum dinheiro com isso, eu teria que juntar milhares delas. O que faço é recolher e depois jogar no lixo. Não ganho dinheiro, mas ajudo a limpar a praia e preservar a natureza”, orgulha-se.



Outro adepto é o vendedor ambulante Anísio Santiago dos Santos, 46. Ao contrário do bancário aposentado, ele prefere o entardecer para realizar as buscas. Diariamente ele frequenta a praia do Camaroeiro, no centro de Caraguatatuba, onde diz já ter encontrado uma aliança de casamento, um relógio e até um smartphone.

Além da areia da praia, Anísio também passa com o detector de metais dentro da água, na área mais rasa. Ele afirma que quando encontra objetos pessoais, tenta localizar os proprietários para devolver, quando há postagens em redes sociais ou alguma forma de identificação. Foi o caso de um aparelho celular, localizado dentro do mar.

“Por incrível que pareça, o telefone ainda estava funcionando. Minha filha o deixou ligado na esperança de o proprietário ligar. Mas ninguém ligou. O aparelho estava com uma capinha, onde havia dois cartões bancários. Pelo sobrenome que constava nos cartões, minha filha conseguiu encontrar o dono pela internet. Depois do contato feito, ela devolveu enviando o celular pelos Correios. Sempre fomos muito corretos. Minha filha não descansou enquanto não encontrou o proprietário do celular”.



Além do gesto de honestidade da família, Anísio conta que sempre respeita as regras ambientais e áreas de preservação. “Infelizmente, encontramos muito lixo debaixo da areia e no mar. Sempre recolho esse lixo e coloco nos recipientes apropriados espalhados pelas praias. Dizem que, em 2050, teremos mais lixo nos oceanos do que peixes. Estou fazendo a minha parte para que meus netinhos nadem com os peixes, não com o lixo”.



Caraguatatuba