Desemprego sobe para 5,8% no Brasil, mas renda bate recorde

Dados do IBGE mostram alta no trimestre até fevereiro, com 6,2 milhões em busca de trabalho e rendimento médio de R$ 3.679

Rhauanny Queiroz
Publicado em 29/03/2026, às 13h10

Número de pessoas em busca de trabalho chega a 6,2 milhões - Imagem ilustrativa/IA


A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, segundo dados divulgados pelo instituto brasileiro de geografia e estatística (IBGE). O índice subiu em relação ao trimestre anterior, encerrado em novembro, quando era de 5,2%.

Apesar da alta no período, o resultado é o menor já registrado para um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica da pesquisa nacional por amostra de domicílios (Pnad) contínua, em 2012. Na comparação com o mesmo período de 2025, quando a taxa era de 6,8%, houve queda.

Número de desempregados cresce no início do ano

No trimestre encerrado em fevereiro, o país tinha 102,1 milhões de pessoas ocupadas e 6,2 milhões em busca de trabalho. No período anterior, entre setembro e novembro de 2025, eram 5,6 milhões de brasileiros procurando emprego.



Ainda de acordo com o IBGE, houve redução no número de ocupados em relação ao trimestre anterior, com 874 mil pessoas a menos trabalhando. A queda foi puxada principalmente pelos setores de saúde, educação e construção.

A coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, explicou que o movimento é sazonal, comum no início do ano, especialmente em atividades com contratos temporários.

“Parte expressiva dos ocupados é provida por contratos temporários no setor público. Na transição de um ano para outro, há um processo de encerramento dos contratos vigentes, repercutindo no nível da ocupação dessa atividade.”



Rendimento médio atinge maior valor da série

Mesmo com o aumento da desocupação, o rendimento médio mensal dos trabalhadores chegou a R$ 3.679 no trimestre encerrado em fevereiro, o maior valor já registrado.

O resultado representa alta de 2% em relação ao trimestre anterior e de 5,2% na comparação com o mesmo período do ano passado, já considerando os valores corrigidos pela inflação.

Segundo Adriana Beringuy, o avanço da renda está ligado à maior demanda por trabalhadores e ao aumento da formalização, principalmente nos setores de comércio e serviços.



Outros dados do mercado de trabalho

O número de empregados com carteira assinada no setor privado ficou em 39,2 milhões, estável tanto em relação ao trimestre anterior quanto ao mesmo período de 2025.

Já os trabalhadores por conta própria somaram 26,1 milhões, também estáveis na comparação trimestral, mas com alta de 3,2% em relação ao ano anterior, o equivalente a mais 798 mil pessoas.

A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, o que representa 38,3 milhões de trabalhadores sem garantias como férias e previdência. No trimestre anterior, o índice era de 37,7%.



Como o IBGE calcula os dados

A pesquisa considera pessoas a partir de 14 anos e inclui todas as formas de trabalho, com ou sem carteira assinada, além de ocupações temporárias e por conta própria.

Para ser considerada desocupada, a pessoa precisa ter procurado emprego nos 30 dias anteriores à entrevista. O levantamento é feito em cerca de 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

Histórico da taxa de desemprego

A maior taxa de desemprego da série histórica foi de 14,9%, registrada nos trimestres encerrados em setembro de 2020 e março de 2021, durante a pandemia de covid-19.



Já o menor índice foi de 5,1%, no quarto trimestre de 2025.

Com informações - Agência Brasil



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