Defesa Civil de Santos sinaliza moradias interditadas em áreas de risco

Morros continuam em estado de alerta para deslizamentos

Da Redação
Publicado em 09/03/2020, às 14h47 - Atualizado em 24/08/2020, às 07h17

- Rogério Bomfim


Sete dias após o forte temporal que atingiu a cidade de Santos, os morros continuam em estado de alerta para deslizamentos e a Defesa Civil está retornando às moradias consideradas sob risco para sinalizar os imóveis interditados com marcação em spray e adesivo.

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Enquanto isso, a prefeitura se prepara para iniciar ainda nesta semana a reconstrução e recuperação das regiões afetadas. O pagamento do auxílio-moradia, partilhado entre estado e município, deve começar até o fim do mês.



Desde a noite da última segunda-feira, 2, e madrugada de terça, 3, a Defesa Civil registrou 250 ocorrências, sendo que muitas ainda estão sendo atendidas.

“A Defesa Civil já está realizando esse trabalho de retornar às moradias interditadas, mas, independente disso, peço a todos que não voltem para suas casas. Está sol, o tempo melhorou, mas elas não devem retornar”, frisou o prefeito Paulo Alexandre Barbosa, que nesta segunda-feira, 9, esteve na escola Terezinha Calçada Bastos, no Morro São Bento, unidade que abriga famílias provisoriamente.

Pela manhã, geólogos, técnicos da Defesa Civil, da Secretaria de Infraestrutura e Edificações (Siedi) e da Cohab visitaram moradias já interditadas, fazendo marcação com spray, em forma de X. Atualmente, cerca de 250 casas estão indicadas para remoção. “E nesta tarde começaremos a adesiva-las para mostrar que foram desocupadas e estão oficialmente interditadas”, explicou o coordenador da Defesa Civil, Daniel Onias.



Ele frisou que, mesmo após o tempo melhorar, as encostas dos morros estão sujeitas a novos deslizamentos, já que a drenagem nestes locais ainda está comprometida. “É muito importante que as pessoas continuem atentas aos sinais de alerta, como água barrenta, trincas e rachaduras no solo e postes e árvores inclinados”.

Onias afirmou que todas as áreas dos morros são preocupantes e foram afetadas com mais ou menos ocorrências. “Há ocorrências de grande magnitude até mesmo no Monte Cabrão e Mantiqueira, na Área Continental”. Ele também falou sobre uma área no Ilhéu Baixo, na Zona Noroeste, onde uma pedra preocupa moradores da rua Francisco Lopes Rúbio. “A orientação é para que as pessoas deixem aquelas casas”.

Conforme explicou o coordenador da Defesa Civil, uma boa parte das pessoas não poderá voltar em definitivo porque as moradias foram seriamente afetadas. Após avaliação futura, se o órgão decidir que há imóveis que podem ser liberados, os moradores serão informados.



Auxílio-moradia

Atualmente, 275 famílias desabrigadas estão cadastradas para o recebimento do benefício, que será de R$ 600 (valor que será dividido entre município e Estado). Uma quantia complementar de R$ 1.000 também será paga para que essas famílias possam suprir necessidades básicas imediatas.

“Todas as pessoas que preencherem os requisitos receberão o auxílio-moradia. Se surgirem novas famílias no cadastro, também serão contempladas. Estamos em contato com o Governo do Estado e a expectativa é de que até o final do mês tudo esteja resolvido. Enquanto isso, a prefeitura vai prover toda a infraestrutura a essas famílias, com alimentação e acomodação”.



Um dos abrigos provisórios para vítimas das chuvas, a escola Teresinha Calçada Bastos conta atualmente com 19 famílias, sendo 54 pessoas. Em visita à escola, o prefeito Paulo Alexandre conversou com vítimas do temporal, explicando que a liberação do dinheiro é prioridade. “Também estamos negociando com o Governo do Estado a reconstrução dos espaços e obras de habitação. É nossa prioridade absoluta”.

Na última quinta-feira, 5, o Governo do Estado liberou R$ 50 milhões para intervenções emergenciais nas cidades afetadas pelas chuvas (Santos, São Vicente e Guarujá). Os trabalhos incluem construção de muros de arrimo, contenção de encostas, entre outras obras. Do total, Santos receberá R$ 15 milhões.

Expectativa



Moradores da Rua Santa Marta, no Morro São Bento, Alana Ferreira, 26 anos, a mãe Josenira, 46, e o tio Jocielmo, 38, vivem na expectativa de uma solução. “Não deu tempo de tirar nada de casa, mas estamos vivos e aqui a estrutura é muito boa”.

A UME Terezinha Calçada Bastos foi inaugurada no dia 8 de fevereiro e é uma escola infantil com 133 vagas, do berçário à pré-escola. “Fizemos algumas adaptações e ela oferece toda a estrutura necessária a essas famílias, porque trata-se de uma situação emergencial. Nosso papel é acolher e verificar a situação de cada uma delas”, explicou a secretária de Educação, Cristina Barleta.