Formação quadrada gigante, de 1,5 quilômetro de extensão e 300 metros de profundidade, intriga pesquisadores por ter elementos metálicos em caso raro geologia mundial
Reginaldo Pupo
Publicado em 25/06/2026, às 01h18
Pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisar Espaciais), de São José dos Campos (SP), vêm investigando, desde 2015, uma cratera gigante localizada na Serra do Mar, às margens da rodovia Rio-Santos, na altura da praia de Ubatumirim, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Os estudos têm o objetivo de confirmar se a formação, que tem 1,5 quilômetro de extensão e cerca de 300 metros de profundidade, foi provocada pela queda de um asteroide há cerca de 30 mil anos.
No entanto, vários aspectos observados ao longo desses anos de estudos vêm intrigando os pesquisadores, a começar pelo formato quadrado, incomum entre crateras, e pelas características geológicas que não se encaixam nos processos naturais normalmente observados na região.
Segundo o Inpe, uma das principais evidências que sustentam a hipótese de um impacto de um asteroide é o fato de estudos anteriores não terem encontrado sinais de origem tectônica para a formação, ou seja, ela não teria sido criada por movimentações das placas terrestres ou falhas geológicas comuns.
Outro detalhe que chama a atenção dos cientistas é a idade dos sedimentos encontrados no interior da cratera. Enquanto a estrutura pode ter surgido há cerca de seis milhões de anos, os materiais depositados em seu fundo são mais recentes, com aproximadamente 150 mil anos. Essa diferença de idade levanta novas perguntas e reforça a necessidade de mais pesquisas para desvendar a origem do local.
Outro ponto curioso observado pelo instituto é que a formação possui elementos metálicos, e não rochosos. O geólogo Paulo Martini, que está à frente dos estudos, afirma que para comprovar se a cratera foi causada por um asteroide, será necessário encontrar amostras de minerais como irídio, comum em outros planetas e abundante em meteoros. Esse material, segundo ele, poderá ser encontrado no leito do rio Puruba, que nasce justamente na cratera e deságua no mar.
Vista por imagens de satélite, a formação impressiona. Suas bordas elevadas e o desenho marcante no relevo lembram crateras de impacto identificadas em outras partes do planeta. Para os pesquisadores, a estrutura representa uma oportunidade rara de estudar possíveis colisões cósmicas que ocorreram no território brasileiro.
“A cratera é diferente de todos os padrões geológicos da região do litoral norte. Caso seja confirmada, Ubatuba será a nona cidade brasileira a registrar impactos de material extraterrestre no Brasil”, acrescenta.
Os outros casos foram registrados em oito estados: Mato Grosso, Goiânia, Tocantins, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul e na cidade de Colônia, no estado de São Paulo, segundo o Earth Impact Database (Banco de Dados de Impactos Terrestres), órgão do Planetary and Space Science Centre, da Universidade de New Brunswick, em Fredericton, Canadá.