Interessados já podem se candidatar na rua João Ramalho, 327, às quartas-feiras
Marina Aguiar
Publicado em 01/08/2018, às 13h23 - Atualizado em 24/08/2020, às 03h48
O programa Akitã - Apadrinhamento Afetivo foi lançado na noite de terça-feira, 31, em Bertioga, em cerimônia no Sesc-Bertioga. O projeto é inédito na cidade e propõe a ideia de ter um afilhado permanente entre os residentes de serviço de acolhimento. Pioneira no assunto, a pesquisadora gaúcha Alice Duarte Bittencourt explicou aos presentes: "Quando pensamos em formalizar o programa de apadrinhamento, nossa preocupação era com as crianças que ficavam nos abrigos e não era eleitas para a adoção; por serem negros, mais velhos, terem problemas físicos ou intelectuais, elas sobravam".
Alice é membro da Associação dos Pesquisadores de Núcleos de Estudos e Pesquisas sobre a Criança e o Adolescente (Neca) e ajudou a fundar o primeiro programa de apadrinhamento afetivo do Brasil, no Rio Grande do Sul, em 2000. Para ser um padrinho, o interessado deve se candidatar. "Depois são chamados para uma entrevista, possivelmente. O município escolhe a metodologia em termos de passos, mas, depois, vem uma documentação parecida com a da adoção; depois passam por oficinas de preparação, em que exploram assuntos de sexualidade, violência, afeto, carinho e atenção. Então, as pessoas vão decidir se podem ou não. Toda a família participa disso", explicou.
As crianças e adolescentes também são preparados por meio de oficinas, para que entendam que o apadrinhamento não é como a adoção. Em Bertioga, sete pessoas do Abrigo Institucional para Acolhimento de Crianças e Adolescentes poderão ser apadrinhadas. São crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, que possuem família. Crianças com possibilidade de adoção ou prestes a completar 18 anos não poderão ser apadrinhadas. A frequência de visitas é definida pelos envolvidos, mas deve ser, no mínimo, semanal.
Secretário de Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda, Fernando Moreira reiterou que lugar de criança é na família. "Nós entendemos que é um projeto bastante promissor e, inclusive, temos a meta de transformá-lo em lei. Queremos fortalecer o direito de convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes, que é um direito previsto na Constituição Federal, no artigo 227, e no Estatuto da Criança e do Adolescente, no artigo 19".
Moreira explicou que o programa nasceu de iniciativa da Vara da Infância e da Juventude de Bertioga, por meio da doutora Luciana Mendonça de Barros Rapello e dos técnicos do Poder Judiciário. "Temos também outras alternativas, como o Casa Lar, Família Acolhedora e a Guarda Subsidiada. Eu diria que o apadrinhamento afetivo é o primeiro passo para tudo isso", esclareceu Moreira.
O programa passa a valer a partir desta quarta-feira, 1, com atendimento na rua João Ramalho, 327. Interessados devem procurar as técnicas Vanessa e Amanda, às quartas-feiras, das 11 às 16 horas.