Manifestantes reclamam de excesso de velocidade de embarcações esportivas no canal, que podem resultar em acidentes e danos ambientais
Lenildo Silva
Publicado em 06/03/2025, às 14h28
Moradores e barqueiros de Bertioga e Guarujá, no litoral de São Paulo, organizaram protesto contra a alta velocidade das lanchas de luxo que transitam no canal que separa as duas cidades. A manifestação pacífica ocorreu na segunda e terça-feira de Carnaval, e reuniu embarcações equipadas com alto-falantes, para denunciar os danos ambientais e os riscos de acidentes.
🗣️ Barqueiros protestam contra lanchas de luxo no canal de Bertioga 🚨 pic.twitter.com/7dfnaGYCHG
— Portal Costa Norte (@costanortenews) March 6, 2025
Os manifestantes alegam que o deslocamento de água gerado pelas lanchas afeta o meio ambiente, desgasta as margens do canal e ameaça o manguezal. Além disso, as embarcações podem atingir tartarugas e outras espécies marinhas e comprometer o equilíbrio ecológico. Moradores relatam, ainda, que a situação prejudica diretamente a comunidade, especialmente, pescadores e barqueiros que dependem do canal para locomoção e trabalho. A força das ondas geradas pelas lanchas compromete embarcações menores, provoca danos a cabos e peças caras e torna a travessia mais perigosa.
Helena Sotero, uma das representantes da manifestação destacou a imprudência dos condutores de lanchas e motos aquáticas. Segundo ela, muitos não respeitam os limites de velocidade e passam pelo canal sem considerar a segurança de quem está em embarcações menores ou praticando esportes aquáticos como canoagem e stand-up paddle.
Ainda de acordo com a moradora, no fim de semana de Carnaval, um incidente quase terminou em tragédia devido a uma lancha que passou em alta velocidade próximo a um barco com passageiros. “Uma criança quase foi atingida por uma onda provocada pela lancha em alta velocidade. O barco jogou água para cima do píer, e a situação poderia ter terminado em tragédia", disse Helena.
Além dos riscos à segurança, os manifestantes alertam para os danos ao meio ambiente. As ondas geradas pelas lanchas destroem o manguezal, que é berçário natural para diversas espécies marinhas, como tartarugas, peixes e crustáceos.
Durante os protestos, os barqueiros simularam bloqueios no canal para conscientizar os proprietários de lanchas sobre a necessidade de reduzir a velocidade. "Queremos educação e respeito. Mostramos a eles como deveriam navegar, mas precisamos do apoio da Marinha para fiscalizar e coibir esses abusos", explicou Helena.
A Marinha recomenda que as embarcações naveguem no canal de Bertioga a uma velocidade máxima de cinco nós (aproximadamente 11 km/h). No entanto, segundo os manifestantes, muitas lanchas transitam com o dobro da velocidade permitida. Procurada pela reportagem, a Marinha do Brasil informou que Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) promoveu, durante o período de Carnaval, ações em Bertioga que resultaram em 155 abordagens; 10 notificações e apreensão de quatro embarcações por infrações graves à Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário (Lesta). Quanto ao protesto citado na reportagem, a CPSP informou que não foi acionada.
A Marinha disse, ainda, que realiza fiscalizações regulares para garantir a segurança da navegação, a proteção da vida humana no mar e a prevenção da poluição hídrica. O órgão federal incentiva a população a denunciar irregularidades pelos canais oficiais, como o telefone 185 para emergências e o (13) 3221 3454 para outras ocorrências.
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