O auge do problema ocorreu na sexta-feira, 17, e prejudicou atletas que se dirigiam ao arquipélago, para competir a etapa brasileira do XTerra, e turistas que participariam do Festival Vermelhos e do Festival do Camarão
Reginaldo Pupo
Publicado em 23/08/2018, às 08h11 - Atualizado às 17h18
Quatro, das sete balsas do sistema de travessia de balsas entre São Sebastião e Ilhabela, ficaram inoperantes no último fim de semana (de 17 a 19 de agosto) e geraram queixas de usuários, principalmente, turistas, devido ao caos gerado e às incontáveis horas na fila de espera para o embarque. O problema motivou o prefeito de Ilhabela Márcio Tenório a tecer sérias críticas à Dersa, responsável pelas travessias litorâneas no estado, e a cobrar, mais uma vez, medidas urgentes e definitivas do governador Márcio França, para solucionar os problemas, que vêm sendo registrados há décadas. A estatal também foi criticada por associações que representam a sociedade civil de Ilhabela e moradores.
O auge do problema ocorreu na sexta-feira, 17, e prejudicou centenas de atletas que se dirigiam ao arquipélago, para competir a etapa brasileira do XTerra, e milhares de turistas que participariam do Festival Vermelhos e do Festival do Camarão. A prefeitura havia estimado em seis mil o número de turistas nesses eventos, que ocupariam 70% dos leitos de hotéis. Os moradores se queixaram pelo fato de as balsas não cumprirem os horários, resultando atrasos em seus compromissos.
Duas embarcações teriam apresentado problemas mecânicos e elétricos. Disse o prefeito: “Vamos voltar a oferecer denúncias ao Ministério Público, governo estadual, Assembleia Legislativa de São Paulo, Congresso Nacional e até ao presidente da República. Não podemos mais aceitar que esse problema se arraste”. Revoltado, Márcio Tenório cobrou o alto escalão da Dersa, que, de acordo com ele, trocou de direção, mas não teria solucionado a questão. “A direção da empresa tem que solucionar esse problema, que se arrasta por décadas, prejudicando nosso arquipélago e todos os usuários. Sinto muito pela falta de condições de trabalho, também aos funcionários”.
O vereador Antonio Marcos Silva Batista (DEM) protocolou um projeto de lei, que autoriza o município a estabelecer convênio com o governo do estado, para aquisição ou aluguel de balsas para o sistema de travessia. "Não é de hoje que o serviço de travessia tem sido muito criticado por diversos fatores que prejudicam o seu bom funcionamento. Atualmente, qualquer final de semana, seja na baixa ou na alta temporada, sofremos com atrasos, filas gigantescas e balsas sucateadas. Fica claro (sic) a falta de investimento do governo do estado, que deixa de garantir um serviço digno e de qualidade à população", justificou.
Por meio de notas, a Dersa informou que a balsa Valda II foi retirada de operação “para que problemas mecânicos sejam corrigidos”, e que, naquele momento (domingo), a travessia estaria sendo atendida por quatro embarcações. Em outra nota, emitida na sexta-feira, 17, a estatal afirmou que a travessia operava com três embarcações, “pois dois ferryboats passavam por manutenção programada e vistoria da Autoridade Marítima”. A Dersa informou que “a empresa conta com a compreensão de todos, já que os trabalhos visam exclusivamente a segurança de todos", e que “prioriza a segurança dos usuários e ressalta que vem trabalhando para que os impactos no tempo de espera sejam minimizados”.
A reportagem não conseguiu contato com a Capitania dos Portos, em São Sebastião, para explicar os motivos pelos quais a “manutenção programada”, justificada pela Dersa, teria sido agendada para uma sexta-feira, véspera de um final de semana com diversos eventos em Ilhabela.
Flutuantes da travessia serão reformados
O flutuante responsável pelo acesso de veículos às balsas em São Sebastião começou a ser reformado nessa semana, segundo informou a Dersa, responsável pela travessia. A previsão é que os serviços durem aproximadamente 45 dias e, depois de concluídos, tenham início do lado de Ilhabela, com duração de mais 45 dias. Nos feriados prolongados da Independência, em 7 de setembro; Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro; e Finados, em 2 de novembro, as obras serão paralisadas, segundo a Dersa, para minimizar os transtornos na travessia, que costuma receber grande volume de veículos nesses períodos.
Os dois flutuantes receberão novas chapas de aço e nova pintura. Também serão feitas as trocas das defensas, que fixam os flutuantes por peças novas. O investimento é de R$ 3 milhões. Durante os trabalhos, apenas metade de cada flutuante ficará fechada durante os trabalhos, para que não seja necessária a interdição total do equipamento, gerando o menor impacto possível aos motoristas e pedestres, segundo a Dersa.
CARTA-RESPOSTA (enviada dia 27/08)
Em relação à matéria “Balsas quebram, geram caos e prejudicam turismo”, publicada em 27/8, a DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S/A esclarece que a frota da Travessia São Sebastião/Ilhabela é composta atualmente por cinco embarcações, e não sete, como informado equivocadamente pela reportagem. Dois ferryboats cumprem cronograma obrigatório de reforma e modernização, com investimentos de R$ 4,6 milhões do Governo do Estado. Ambos deverão retornar em outubro e novembro, respectivamente. Portanto, não houve quatro balsas inoperantes. A Empresa compreende os anseios dos usuários, mas reforça que vem trabalhando intensamente para minimizar os transtornos, enquanto prepara a entrega das duas embarcações já citadas, completamente remodeladas, prontas para atender a grande demanda da temporada de verão.