Estudo liderado por pesquisadores da Unesp alerta para risco real de colisão contra asteroides de Vênus, invisíveis aos telescópios convencionais
Redação
Publicado em 15/07/2025, às 13h51
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) identificou uma ameaça invisível no espaço: asteroides que compartilham a órbita de Vênus e que podem representar risco real à Terra, em escalas de milhares de anos. Esses objetos, chamados de “coorbitais de Vênus”, orbitam o Sol na mesma região de Vênus, mas a posição próxima ao astro os torna praticamente impossíveis de observar com telescópios terrestres.
De acordo com o estudo, publicado na revista Astronomy & Astrophysics, esses asteroides apresentam alta instabilidade orbital. Em ciclos que duram cerca de 12 mil anos, eles alternam entre configurações seguras e trajetórias que podem cruzar perigosamente a órbita terrestre.
Os pesquisadores alertam que, durante essas fases de transição, os asteroides podem se aproximar demais da Terra. Simulações numéricas mostram que alguns deles atingem distâncias tão pequenas que indicam colisões quase certas no longo prazo. O risco é agravado pelo fato de que objetos com órbitas menos excêntricas (mais circulares) são ainda mais difíceis de detectar. Isso cria um viés observacional: sabemos que existem, mas não conseguimos vê-los.
O catálogo atual lista apenas 20 coorbitais de Vênus, todos com excentricidade superior a 0,38. A pesquisa sugere que há muitos outros com órbitas mais regulares, invisíveis a partir da Terra. Simulações revelaram que asteroides com cerca de 300 metros de diâmetro, escondidos nessa população, poderiam causar impactos devastadores. A energia liberada seria equivalente a centenas de megatons, capaz de destruir grandes cidades.
O estudo avaliou a capacidade do novo Observatório Vera Rubin, no Chile, para detectar esses objetos. Constatou-se que mesmo os mais brilhantes só seriam visíveis por um ou dois dias ao ano, em condições específicas. Por isso, os cientistas apontam que a única forma de vigilância eficaz seria por meio de missões espaciais, como a Neo Surveyor (NASA) e a proposta Crown (China), voltadas para regiões próximas ao Sol.
Segundo os autores, a defesa planetária deve considerar não apenas o que conseguimos ver, mas também os riscos que ainda permanecem invisíveis. A pesquisa foi conduzida pelo Grupo de Dinâmica Orbital e Planetologia (GDOP) da Unesp e recebeu apoio da Fapesp.
O artigo completo está disponível em: aanda.org.
* Com informações de José Tadeu Arantes, da Agência Fapesp
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