Medidas atingem produtos com problemas de fabricação, falta de regularização sanitária e um lote que não foi reconhecido pelo fabricante
Rhauanny Queiroz
Publicado em 17/08/2026, às 10h14
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão e a proibição de produtos que apresentaram irregularidades sanitárias, incluindo suplementos alimentares e um lote de medicamento falsificado. As medidas foram publicadas no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (17).
Entre os produtos proibidos está o Newfit, apresentado em sua rotulagem como suplemento alimentar e sob responsabilidade da empresa Romario Barbosa Bueno 41858909821, RBB Top New. A Anvisa determinou a apreensão de todos os lotes e proibiu a comercialização, distribuição, exportação, fabricação, propaganda e uso.
Segundo a Anvisa, testes realizados pelo Laboratório de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificaram no Newfit as substâncias farmacologicamente ativas sibutramina, fluoxetina e furosemida, que não estavam declaradas na rotulagem.
A composição informada na embalagem era à base de Chlorella, Spirulina, extrato de cúrcuma, psyllium e crômio. De acordo com a resolução, a presença das substâncias não declaradas caracteriza indício de adulteração do produto.
A Anvisa determinou ainda a apreensão de todos os lotes do Mounja Gummy, fabricado pela Bela Blue Beauty Ltda. O produto, classificado na resolução como medicamento, não possui registro, notificação nem cadastro na Anvisa. A agência também informou que houve comprovação de propaganda, anúncio de venda e comercialização do produto.
Por isso, foram determinadas a apreensão e a proibição de comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso. A medida também se aplica a pessoas físicas ou jurídicas e veículos de comunicação que comercializem ou divulguem o produto.
Outro produto alvo da fiscalização foi o Trodelvy, lote 10008808. A Gilead Sciences Farmacêutica do Brasil, empresa detentora do registro do medicamento, informou à Anvisa que não reconhece o lote como original. Por esse motivo, o produto foi classificado como falsificação.
A agência determinou a apreensão e a proibição da comercialização, distribuição e uso do lote.
A segunda resolução publicada pela agência também determinou o recolhimento de todos os suplementos alimentares da marca Shark Pro, fabricados pela RCA Labs Ltda. A medida foi tomada após uma inspeção da Vigilância Sanitária municipal de Capivari (SP), que identificou falhas graves de boas práticas de fabricação.
Entre os problemas apontados estão a ausência de controle de qualidade da matéria-prima, armazenamento inadequado dos insumos e falta de registros de manutenção preventiva dos equipamentos.
A inspeção também constatou ausência de estudos de estabilidade dos suplementos e falta de regularização de alguns produtos.
Foram identificadas ainda falhas na rotulagem. No 100% Whey Protein sabor paçoca, não havia declaração de alergênico. Já no 100% Whey Protein sabor leitinho, não constava a declaração de possível contaminação cruzada.
A Anvisa também apontou a existência de marcas irregulares com alegações não aprovadas, como Good Night, Good Morning e Testo Clinic. Diante das irregularidades, todos os suplementos Shark Pro devem ser recolhidos, e ficam proibidos comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e uso.
As medidas estão previstas nas Resoluções RE 3.242/2026 e RE 3.244/2026, publicadas pela Anvisa no Diário Oficial da União.