Almoço pesa no bolso e vale-refeição dura apenas 9 dias, segundo pesquisa

Pesquisa aponta alta no preço do prato e reajuste menor no benefício; consumidores e restaurantes da Baixada Santista buscam alternativas

Redação
Publicado em 12/08/2026, às 10h02

Pesquisa aponta alta no preço do prato e reajuste menor no benefício - Reprodução/TV Cultura Litoral e Vale


Comer fora de casa pesa cada vez mais no bolso do trabalhador. Uma pesquisa recente revela que o saldo do vale-refeição dura, em média, apenas nove dias no mês. No litoral paulista, consumidores e comerciantes buscam estratégias para driblar a inflação dos alimentos e o orçamento apertado.

O valor médio da refeição subiu de R$42,84 para R$44,69, uma alta de 4,3% na comparação com o mesmo período de 2025. Em contrapartida, o valor médio depositado pelas empresas nos cartões de benefícios teve um reajuste de apenas 1,5%, chegando a R$583,75.

Os dados pertencem a um levantamento de uma empresa especializada em benefícios corporativos. Com a defasagem, o trabalhador precisa desembolsar cerca de R$600 do próprio bolso para custear o almoço até o fim do mês.



O economista Denis Castro explica a origem dessa discrepância. "A inflação dos alimentos, de quem come fora, sobe de maneira desproporcional ao reajuste do vale-refeição. O trabalhador continua recebendo o benefício, mas numa medida que não acompanha o custo do alimento fora de casa. Ou seja, um diagnóstico de perda de poder de compra", analisa.

Alternativas no cardápio

Para não perder a clientela, os donos de estabelecimentos adaptam os negócios. O proprietário de um restaurante no bairro Aparecida, em Santos, Higor Ferreira, optou por diversificar o formato de atendimento.

Ferreira detalha a estratégia adotada: "Negociamos com fornecedores propondo redução de custos das mercadorias, mantendo a mesma qualidade. Fazendo isso, nós ampliamos o leque. Um restaurante que era só comida por quilo, hoje trabalha com prato feito e outras opções. Nós diversificamos a nossa administração com gestão e também ampliando a alternativa para o próprio cliente".



Aplicativos x Presencial

O estudo mostra ainda uma diferença expressiva nos custos dependendo da forma de consumo. Pedidos feitos em plataformas digitais custam, em média, R$58,61. O valor supera o gasto presencial em restaurantes e lanchonetes, fixado em R$43,44 por refeição. Diante dos preços elevados, muitos trabalhadores relatam o retorno da tradicional marmita preparada em casa como única saída viável para fechar as contas do mês.

*Com informações do jornalista Jefferson Santos, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral e Vale.

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