Educadores, com apoio do Sindicato dos Professores, se ausentaram das escolas, na tarde desta terça-feira, para exigir respeito à profissão
Redação
Publicado em 17/09/2024, às 16h46 - Atualizado às 16h52
“Não foi lesão corporal, foi tentativa de homicídio”. Essa é uma das frases gravadas em cartazes por dezenas de professores de escolas municipais de Guarujá, unidos em frente ao paço Moacir dos Santos Filho, em manifestação pacífica na tarde desta terça-feira (17). A mobilização, amparada e estimulada pelo Sindicato dos Professores das Escolas Públicas Municipais de Guarujá e Região (Siproem), pede por segurança e respeito à profissão. O protesto ocorre sete dias após a educadora Amanda Monteiro ser agredida pela mãe de um aluno, enquanto aguardava pelo transporte em um ponto de ônibus.
Desde o episódio da agressão, o sindicato tem postado fotos de diversas manifestações de profissionais que se solidarizaram com a colega e, por fim, publicou a seguinte nota, assinada por sua presidente, a professora Joanice Gonçalves:
“O SIPROEM, Sindicato dos Professores de Guarujá e Região, vem a público externar sua indignação e a preocupação que hoje assola especialmente os professores de Guarujá, que se sentem desrespeitados, ameaçados e coagidos no ambiente de trabalho.
Tivemos uma colega covardemente agredida por uma mãe, episódio que nos abalou profundamente, devastou a nossa emoção, porém nos uniu e nos motivou a sair da sala de aula para irmos às ruas exigir RESPEITO AO PROFESSOR.
O SIPROEM pede aos governantes e a toda sociedade que reflitam sobre como será a nossa sociedade no futuro.
Saibam que só será possível ser ordeira, com convivência pacífica e respeitadora se optarmos pelo resgate ao RESPEITO pelo profissional que forma todos os outros profissionais, O PROFESSOR!
Nosso manifesto será pacífico, por isso pretendemos que pais, alunos e todo cidadão do bem participem e nos apoiem compreendendo nossa ausência em nosso local de trabalho na tarde desta terça-feira, 17/09.
Saúde e paz a todos!”
Segundo professores ouvidos pela reportagem, a Secretaria de Educação do município autorizou a paralisação das aulas para a participação na manifestação. O prefeito Válter Suman publicou nota de solidariedade em seu perfil no Instagram, que diz o seguinte:
“A Administração Municipal manifesta toda a sua solidariedade à professora Amanda Monteiro, brutalmente agredida, em via pública, no último dia 10, após concluir sua jornada de trabalho. A Administração repudia todo e qualquer ato de violência. Expressamos solidariedade à professora Amanda, vítima de uma covarde agressão, e a todo o corpo docente, reafirmando o compromisso em garantir que esse tipo de violência jamais seja tolerado.
Compreendemos que, além do impacto físico, a agressão causa feridas emocionais profundas. Por isso, estamos oferecendo total apoio, disponibilizando acompanhamento psicológico, além de agilizar o encaminhamento da vítima a todos os serviços necessários. O acolhimento e a proteção de nossos servidores são prioridades inegociáveis.
Enquanto a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo conduz a investigação, reforçamos nosso compromisso com políticas públicas que visam combater a violência em nossa rede municipal de ensino, a partir de iniciativas como o Programa de Prevenção às Drogas e Violência e a campanha ‘Digo Sim ao Respeito’.
Mais do que nunca, reafirmamos: a violência não tem espaço em nossa sociedade e a construção de um ambiente seguro e respeitoso para todos é uma missão que seguimos com determinação.”
A professora Amanda Monteiro, de 39 anos, foi espancada, ameaçada e ofendida pela mãe de um aluno da escola municipal Valéria Cristina Vieira da Cruz, na tarde de terça-feira (10). A vítima relatou à polícia que a agressora estava insatisfeita com a tomada de medidas administrativas escolares em relação ao comportamento do filho, por isso iniciou os ataques, inclusive, batendo a cabeça da vítima no chão por diversas vezes.
“Eu vou mandar te matar, eu vou falar com os manos e você vai morrer”, teria dito a mãe à educadora. Com uma fratura no nariz, ela foi medicada no Hospital Guarujá e, posteriormente, na Santa Casa de Santos, onde realizou tomografia do crânio.
A matéria completa sobre o caso pode ser conferida no link.
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