Costa Norte
Publicado em 25/08/2017, às 15h00 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h53
*Maíra Eugênia Caralli
Não posso deixar passar a polêmica causada por três ou quatro militantes diretos da atual administração pública que ficaram "indignados" com o texto que escrevi na semana passada sobre as discrepâncias das respostas do prefeito, o sr. Caio Matheus, e da vereadora Valéria Bento à mesma pergunta (por que a lei de proibição dos fogos ruidosos ainda não saiu?): na entrevista (programa Café da Manhã de 26 de julho passado), o sr. Caio Matheus achava que a tal lei "já começara a tramitar na Câmara"; no dia seguinte, 27 de julho, no programa Opinião, a vereadora Valéria Bento afirmava que "ele, o prefeito, já poderia tê-la sancionado" - e ela ainda cita, como exemplo, o prefeito de Santos... A parca militância reclamou porque não assistiu às entrevistas citadas em minha coluna e/ou não leu/compreendeu o que escrevi porque minha cobrança é mais do que razoável: ela é legítima! E no dia 18 de agosto passado, também no programa Opinião, o sr. Ney Lyra, presidente da Câmara, respondeu à mesma pergunta deste modo (resumido): "há conflito entre as leis (a lei que permite a fabricação, comercialização e, portanto, o uso dos fogos ruidosos e a lei - desta feita, municipal - que quer proibi-los), mas votaremos ainda neste ano". Devo informar que eu, assim como inúmeros outros munícipes, já tentara sem sucesso acompanhar o "trâmite" desta matéria (e também de outras) pelo site da CMB. É tarefa inglória, pois não há resposta! E é natural porque "estar em trâmite" NÃO significa que (durante meses!) haja uma equipe analisando o projeto; na verdade, quaisquer "projetos" são colocados em alguma gaveta e lá ficarão esquecidos até que alguém lhes cobre uma resposta - e resposta que eles já sabem qual é! Neste caso, todos os envolvidos sabem que a Associação Brasileira de Pirotecnia (Assobrapi) já conseguira liminares contra as leis municipais de proibição dos fogos ruidosos. Entretanto, todos sabem (também) que leis como essas dependem de coragem para obrigar que haja mudanças. A lei que proíbe fogos ruidosos nada tem de "politicamente correta". Ela segue a evolução do conhecimento (da mesma forma que a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e tantas outras) e os fabricantes de fogos terão de aceitar, mais cedo ou mais tarde, que alguns de seus produtos estão fadados à extinção assim como os televisores de tubo e o telex! Além disso, ainda em relação ao programa Opinião de 18 de agosto, duas intervenções exigem alguma reflexão. Na primeira, uma telespectadora sugere (piada?) que os donos coloquem em seus animais algum tipo de (depreende-se pelo que foi dito) protetor de ouvidos. Ela apenas não explica se o mesmo protetor poderia ser usado por bebês, enfermos, idosos, indivíduos portadores de síndromes e os (incomensuráveis) animais silvestres nem como poderíamos obrigá-los a ficar com eles. Será que poderíamos usar superbonder? Protetores, pais e familiares esperamos a resposta. Na segunda, um jornalista que participa da "roda" do programa diz que acha a lei uma "frescura"... mas esta intervenção deve ser respeitada porque opinião pessoal independe da razoabilidade, e ninguém pode exigir de outrem que use a lógica para defender as suas preferências. Num país em que uma (ex)presidente, ao vivo e em cores, saúda a mandioca e cunha o conceito de "mulheres sapiens" não há como não se divertir com qualquer tipo de despautério. "Tudo na vida tem uma utilidade - se não fosse o mau cheiro quem inventaria o perfume?" (Millôr Fernandes, falecido em março de 2012). Agradeço à direção do Costa Norte pelo acolhimento e pelas semanas de prazerosa parceria, mas me despeço neste texto. Aproveito para reiterar meu apreço à iniciativa do prefeito Caio Matheus de recuperar o projeto do FUMPA e iniciá-lo. Pena que meu saudoso amigo Aldo Ennos, em cuja casa o FUMPA foi gestado e aprimorado em várias reuniões há cinco anos (tive a honra de ter sido sua "aluna-conselheira"), não esteja mais entre nós para comemorarmos.
*Maíra Eugênia Caralli é presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais
Foto: Reprodução/Internet