Mesmo sem sediar jogos oficiais, cidade atraiu 12 mil turistas estrangeiros e transformou o Gonzaga em reduto internacional durante o mundial no Brasil
Redação
Publicado em 11/05/2026, às 16h24
Às vésperas de mais uma Copa do Mundo, a cidade de Santos relembra sua conexão histórica com o maior evento do futebol mundial. Em 2014, a cidade não precisou receber jogos oficiais para estar no centro das atenções: foi a base de treinamento e hospedagem das seleções do México e da Costa Rica, movimentando intensamente a economia, o turismo e a rotina local.
Dados da prefeitura mostram que 12 mil turistas estrangeiros passaram por Santos durante o mundial, ocupando metade das vagas da rede hoteleira e lotando bares e restaurantes.
O bairro do Gonzaga virou o coração do evento na região e serviu de ponto de encontro para torcedores de diversas nacionalidades, de ingleses a australianos, que aproveitavam a tranquilidade da orla entre as partidas na capital.
A escolha das delegações foi estratégica. A logística facilitada pela proximidade com São Paulo e a qualidade dos centros esportivos foram decisivas. O México fez sua preparação no CT Rei Pelé, enquanto a Costa Rica treinou na emblemática Vila Belmiro.
O técnico costarriquenho, Jorge Luís Pinto, chegou a elogiar publicamente a hospitalidade santista, afirmando que a cidade oferecia o "ambiente ideal para concentração". A escolha deu sorte: os "Ticos" chegaram como azarões e se tornaram a grande sensação daquela edição, liderando o "Grupo da Morte" (vencendo Itália e Uruguai) e avançando até as quartas de final.
A recepção exigiu protocolos rígidos da Fifa. O México se instalou no Parque Balneário Hotel, trouxe seus próprios chefs e uma carga massiva de pimentas e ingredientes para tortillas. Já a Costa Rica ocupou o Mendes Plaza Hotel, com foco em frutas tropicais e o tradicional prato gallo pinto no café da manhã.
No dia a dia, a rotina do Gonzaga mudou: batedores da Polícia Federal e do Exército escoltavam os ônibus das delegações, transformando trajetos simples em eventos que atraíam multidões de curiosos e jornalistas internacionais.
Para além dos gramados, as seleções deixaram um legado afetivo. Momentos marcantes pontuaram a estadia:
O impacto foi além do esperado. O Museu Pelé, inaugurado naquela época, recebeu 24 mil visitantes em seu primeiro mês; metade deles estrangeiros. Mais do que números, Santos consolidou sua imagem global como uma cidade capaz de acolher grandes eventos, provando que o brilho de uma Copa do Mundo também emana do contato direto entre culturas nas calçadas e quiosques da orla da praia.
Para o santista, ficou a memória de um período em que o mundo chamou Santos de lar.
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