Iniciativa 'Mulheres que Lutam' atende mais de 60 crianças na U.M.E. José Bonifácio e usa o esporte para ensinar disciplina, respeito e autoestima
Redação
Publicado em 27/08/2026, às 11h33
O tatame é muito mais do que um espaço de quedas e golpes; para dezenas de meninas em Santos, ele representa um caminho prático para a autoconfiança e o empoderamento. Com foco na disciplina e no respeito, o projeto social Mulheres que Lutam usa o judô para transformar a realidade de jovens estudantes do município.
Criada pelo Instituto Projeção, a iniciativa ocorre na Unidade Municipal de Ensino (U.M.E.) José Bonifácio, na avenida Conselheiro Nébias, 219, Vila Nova. O trabalho começou em fevereiro deste ano com o objetivo inicial de atender 50 crianças, mas logo precisou de ampliação devido à alta procura.
Atualmente, mais de 60 meninas vestem o quimono e aprendem lições valiosas para a formação cidadã, dentro e fora da escola.
A professora de judô Rosane Aparecida destaca os benefícios de uma turma exclusivamente feminina para o desenvolvimento das alunas. "Por serem só mulheres, elas acabam tendo mais liberdade na aula. Elas têm mais confiança uma na outra, então acaba ficando melhor", avalia a educadora.
A também professora do projeto, Camila Valente, compartilha que o esporte moldou a sua própria trajetória ao longo de mais de duas décadas. Hoje, ela atua ao lado de amigas para repassar esse conhecimento às novas gerações.
O judô é tudo na minha vida. Comecei com cinco anos e passei a vida inteira em cima do tatame. Estamos aqui realizando esse sonho para repassar essa vivência", relata Camila.
A mudança de postura já aparece na ponta da língua das pequenas judocas. A estudante Melory Bravo da Luz, de 10 anos, celebra as novidades da rotina esportiva, com destaque para o randori (momento de luta prática da arte marcial). "Eu aprendo coisas novas e é uma coisa que eu consigo levar para a vida", conta a menina.
A percepção positiva ecoa nas vozes de Laura Luiza e Maisa Caroline, ambas também de 10 anos, que apontam o aprendizado de novos movimentos e a diversão como os pontos altos dos encontros semanais.
As atividades do Mulheres que Lutam contam com recursos da Lei de Incentivo ao Esporte e patrocínio de empresas como a Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP) e a EcoRodovias.
O ciclo atual possui duração de um ano, mas a organização afirma que a renovação para a próxima temporada já está aprovada, o que garante a continuidade da ação para as famílias do litoral paulista.
*Com informações do jornalista Alex Castro, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral e Vale.