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Reforma do estatuto do Santos é alvo de questionamentos às vésperas de votação dos sócios

Mudança pode permitir a venda de até 80% de uma eventual SAF do Santos, mas conselheiros questionam a condução do processo

Redação
Publicado em 23/10/2026, às 08h16

Após votação da reforma, sócios retornarão às urnas em dezembro para a escolha do presidente - Fábio Maradei/Santos FC


A reforma do estatuto do Santos, que será submetida à votação dos associados em 8 de novembro, enfrenta questionamentos de integrantes do Conselho Deliberativo.

Em manifestação divulgada nas redes sociais, na quinta-feira (22), um grupo de conselheiros apontou possíveis irregularidades na elaboração da versão final do documento e contestou o prazo previsto para a Assembleia Geral de Sócios.

A discussão envolve mudanças importantes para o futuro do clube, entre elas a possibilidade de negociar até 80% das ações de uma eventual Sociedade Anônima do Futebol (SAF).



A alteração é considerada essencial para o avanço das tratativas com a SDC Sports, grupo norte-americano interessado em investir no futebol santista.

No comunicado, os conselheiros afirmam que as emendas aprovadas durante as reuniões do Conselho Deliberativo ainda não teriam sido reunidas em um texto definitivo para conferência dos integrantes do órgão e aprovação final do plenário.

“Recebemos essas informações com perplexidade, pois as emendas aprovadas não foram consolidadas em um texto final submetido à conferência dos conselheiros e à aprovação do plenário do Conselho Deliberativo”, diz um trecho da nota.



Os signatários também relatam inconsistências na versão apresentada pela Comissão de Estatuto.

Segundo o grupo, a continuidade do processo sem a conclusão dessas etapas poderia comprometer a regularidade da reforma.

Grupo contesta calendário da assembleia

Os prazos para a votação dos associados também foram questionados.



Conforme a nota, durante a primeira reunião destinada à discussão da reforma, o presidente do Conselho Deliberativo teria assegurado que o conteúdo consolidado seria lido integralmente antes da deliberação final.

Na última sessão, após a votação das emendas, os conselheiros teriam sido informados de que disporiam de 15 dias para analisar o documento.

Posteriormente, uma reunião extraordinária seria realizada para consolidar e aprovar a versão definitiva.



O grupo considera que a convocação da assembleia para 8 de novembro pode desrespeitar as regras internas do clube.

Para fundamentar o questionamento, os autores citam o artigo 163 do Regimento Interno, além do artigo 26 do Estatuto Social e do artigo 6º do Regimento Interno.

Segundo a interpretação apresentada pelos conselheiros, essas disposições estabelecem procedimentos e prazos que precisam ser respeitados, incluindo antecedência mínima de 30 dias para a convocação de uma assembleia destinada à reforma estatutária.



“Não seria admissível que o rito e a deliberação — registrada em ata — sejam atropelados”, afirma o manifesto. Ao final do documento, os signatários cobram transparência e afirmam que não aceitarão possíveis irregularidades na condução do processo.

A manifestação, entretanto, expressa a posição do grupo e não representa, por si só, uma decisão que anule a reforma ou suspenda a votação.

Alteração no estatuto é exigência para negociação com investidores

A possibilidade de ampliar para 80% a participação que poderá ser vendida em uma eventual SAF é um dos principais pontos da reforma.



Desde 2022, o estatuto do Santos autoriza a criação desse modelo, mas estabelece um limite de 49% para a participação de investidores.

A restrição impede que o clube negocie a maioria das ações do futebol, condição que não atende às exigências apresentadas pela SDC Sports nas conversas com o Peixe.

O grupo norte-americano sinalizou a intenção de investir R$ 1 bilhão no departamento de futebol e destinar outros R$1 bilhão ao pagamento de dívidas.



Em contrapartida, pretende ficar com 80% das ações da eventual empresa. Em agosto, o Santos assinou um termo de condições com a companhia, estabelecendo bases para a continuidade das negociações.

A mudança estatutária é uma das exigências para que os investidores apresentem uma oferta vinculante, ou seja, uma proposta formal e definitiva.

Antes disso, entre março e agosto, clube e grupo investidor realizaram um processo de due diligence, que envolve a análise de informações financeiras e administrativas para avaliar as condições de uma possível operação.



Mesmo que os associados aprovem a reforma, a criação da SAF não será automática. A proposta de investimento ainda precisará passar pelas instâncias internas competentes, incluindo o Conselho Deliberativo e os sócios.

Reforma também prevê mudanças na administração

As discussões sobre a revisão do estatuto começaram em maio e foram concluídas no Conselho Deliberativo em 28 de setembro, após uma série de reuniões.

Algumas sessões foram marcadas por protestos de torcedores, principalmente durante o debate sobre os requisitos para disputar a presidência do Santos.



Atualmente, o candidato precisa ter pelo menos dez anos de associação ao clube. Durante a análise da reforma, uma das propostas discutidas previa a exigência de dois mandatos no Conselho Deliberativo para concorrer ao cargo.

Outra mudança aprovada pelo conselho prevê a extinção do Comitê de Gestão, órgão que possui atribuições administrativas previstas no estatuto.

Apesar de ter perdido espaço durante a gestão de Marcelo Teixeira, com a concentração de decisões na presidência, o colegiado ainda integra a estrutura formal de administração do Santos.



A assembleia de 8 de novembro deverá definir se os associados aceitam as alterações propostas.

Além de estabelecer novas regras administrativas, a decisão poderá abrir caminho para uma negociação que mudaria o controle do futebol santista.

Depois da votação da reforma, os sócios terão outro compromisso eleitoral em dezembro, quando escolherão o presidente do clube para o próximo mandato de três anos.



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