Partida foi marcada por superioridade óbvia do Flamengo, mas com brilho de meninos da Vila; briga do Santos pela permanência é complicada
Lucas Santos
Publicado em 10/11/2025, às 11h47
O Santos chega a sua segunda “derrota óbvia” nesta reta final do Brasileirão. Apesar disso, a superioridade de Flamengo e Palmeiras foi, por momentos, controlada pela organização tática de Vojvoda, mas também por um ponto que deve ser observado pelo treinador: a base salva.
Com Robinho Jr. no banco e Gabriel Bontempo pouquíssimo aproveitado por Vojvoda, o torcedor se pergunta o que falta para a “molecada” ganhar espaço, já que os dois mostram ser superiores tecnicamente em relação aos mais velhos, além de mudarem o jogo quando entram.
A postura de Neymar, por sua vez, incomodou parte da torcida, contra o Flamengo. Ele fez bom primeiro tempo, mas estava esgotado no segundo, quase se arrastando em campo. Mesmo assim, ele questionou o técnico ao ser substituído e foi para o vestiário, em vez de ficar no banco para dar suporte aos companheiros.
No intervalo do jogo ele chegou a dizer, em entrevista, que a única forma de o Santos fazer um gol seria se os companheiros o procurassem mais em campo. Os dois gols do Santos saíram depois que ele foi substituído.
Contra o Flamengo, vários pontos têm que ser considerados: o Rubro-Negro é o melhor time da América, o jogo foi no Maracanã lotado, e o elenco do Santos não chega nem perto do rival. Dentro disso, o Santos criou suas chances e fez um bom primeiro tempo, que terminou 1 x 0 para os donos da casa.
O primeiro gol do Flamengo ocorreu por erro de Gabriel Brazão, que saiu mal para tentar tirar a bola da área no cruzamento, errou o alvo e não conseguiu voltar para o gol antes do chute de Léo Pereira. Erro individual de um jogador, não tático de Vojvoda.
Mas o segundo tempo expôs um erro grave do treinador. Ele mandou o time ir para cima do Flamengo logo nos primeiros minutos da segunda etapa, uma decisão totalmente suicida. E dessa decisão, saíram os dois próximos gols do Flamengo.
Com um toque genial de primeira, Arrascaeta acertou um passe para Carrascal nas costas da defesa do Santos, que estava toda adiantada; todos os jogadores do Peixe estavam no campo de ataque. O lance ficou impossível de ser parado pela defesa ou por Brazão; 2 x 0.
E vinha mais. Willian Arão fez pênalti em Bruno Henrique, mas o Santos teve sorte, e Arrascaeta cobrou na trave. No terceiro gol do Flamengo, mais um erro individual; Igor Vinícius deu um passe ruim para a defesa, e Bruno Henrique aproveitou; 3 x 0.
Uma reação parecia improvável, mas como a torcida já está cansada de dizer, a base salva. Gabriel Bontempo só entrou na segunda etapa por choque de cabeça de Luan Peres, que precisou sair. A situação de Robinho Jr. é ainda pior; ele só foi colocado em campo aos 40 minutos do segundo tempo. Os dois meninos da Vila mudaram totalmente o cenário.
Em um dos primeiros toques na bola, Robinho Jr. criou chance para Thaciano, que chutou para fora. No lance seguinte, Bontempo conseguiu um bom arranque e cruzou para Robinho, que acertou o travessão. Em um rebote, Bontempo conseguiu empurrar para a rede; 3 x 1. Apenas dois minutos depois, Robinho Jr. finaliza e o goleiro dá rebote; Rollheiser cruza para Lautaro, que fez o segundo.
Os 8 minutos de acréscimos foram queimados facilmente pelo Flamengo, que segurou a bola no campo de ataque. A visão do torcedor santista, é que, se a partida tivesse mais 5 minutos, o Santos empataria.
O torcedor do Santos não questiona a qualidade do técnico Vojvoda, mesmo entendendo que ele cometeu erros. Mas um time como o Santos não pode mais se dar ao luxo de segurar meninos da base apenas por eles serem jovens. Os garotos demonstram claramente terem mais técnica do que os companheiros da mais idade, e pedem passagem.
Agora, o Santos enfrenta novamente o Palmeiras, no sábado (15), desta vez, na Vila Belmiro. O Alviverde não terá seus principais jogadores na temporada: Gustavo Gómez; Piquerez; Emiliano Martinez; Facundo; Sosa; Flaco López e Vitor Roque, todos convocados para suas seleções, além de Andreas Pereira, suspenso.
Os dois melhores times do continente não estão na final da Libertadores por acaso, e mesmo assim, o Santos teve momentos e competiu contra os dois. O fato é que, o ímpeto que sobra contra times muito superiores, falta ao Santos quando enfrenta concorrentes diretos contra o rebaixamento. E é por estes jogos sem alma que o Santos está no Z-4.
O Santos está em 17° lugar, a dois pontos do Vitória, primeiro time fora da zona de rebaixamento. O Juventude está na cola do Peixe, com um ponto a menos.
Se quiser continuar na séria A, o Santos precisa da mesma organização e ímpeto que demonstrou contra os times que estão acima na tabela. Mas a tragédia está anunciada.
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