Tamboréu, inicialmente praticado como lazer nas areias da praia do bairro do Gonzaga, em Santos, gradativamente conquistou espaço em competições
Redação
Publicado em 21/03/2025, às 13h55
Nascido na cidade de Santos, no litoral de São Paulo, o tamboréu, também popularmente conhecido como o “Esporte do Pandeiro”, é uma das atrações das praias santistas há mais de 50 anos. E pensar que tudo isso começou pela imaginação criativa de uma dupla italiana, os irmãos Luigi e Joseph Donadelli, que chamavam a atenção de quem passeava pela orla marítima batendo e rebatendo uma bola de borracha maciça, com uma espécie de pandeiro sem os guizos. Naquela época, em 1937, os atletas jogavam com uma distância entre si de, aproximadamente, 80 metros e sem delimitação de campo ou rede.
Mas, a partir da década de 1960, com a criação da Liga Santista de Tamboréu, a LST, a modalidade se consolidou e conquistou destaque no cenário nacional. Hoje, existem times e torneios para as diversas faixas etárias. O nome tamboréu vem da palavra italiana “tamburo”, que significa instrumento de percussão com tampo de couro
O tampo de couro foi substituído por um de madeira, devido à falta e alto custo do produto. Atualmente, há tamboréu com tampo recoberto com redinhas de nylon, que absorvem o impacto da bola. Assim, o atleta faz menos força para rebater, além de abafar o som da tacada, o que confunde o adversário, que aguarda pelo som seco, característico do contato da madeira com a bolinha em velocidade. Vale lembrar que esta é igual à usada nos jogos de tênis.
Muitos esportistas não competem, mas se reúnem na praia ou em clubes, como o Internacional de Regatas e o Atlético Santista, em Santos, para jogar, manter amizades e fazer outras novas. Pela sua importância na história do esporte santista, o dia 22 de novembro foi escolhido como data comemorativa do Dia do Tamboréu.
O tamboréu é jogado em quadra de 34 metros de comprimento por 10 de largura, quando em duplas, sendo um fundista e um frentista, e de 29m por 8m nas partidas individuais. Pode ser em quadras de saibro, ladrilho, cimento, asfalto, areia, madeira, grama etc. Isso não importa. O que é válido tanto para as partidas de lazer quanto para as de competição, são a metragem e o material usado na confecção das redes, que devem ser feitas de cordonê ou fio de nylon, à altura de um metro do chão. Deve ser de cor forte, geralmente verde ou azul, e ter, na parte superior, uma faixa de pano ou plástico, de cor branca, que não pode ser tocada pela bolinha no momento do saque.
Atualmente, tanto a Federação Paulista de Tamboréu quanto a LST permitem qualquer material na confecção do aro e da tampa, desde que não ultrapassem os 26 centímetros de diâmetro e que o seu peso varie entre 500g e 700 gramas, como está no regulamento. Bem diferente de quando foi criado. Naquela época, o tamanho do tamboréu variava de 35 a 40 centímetros de diâmetro.
O movimento inicial do jogo é o saque, feito de modo oposto ao do tênis. Aqui, ele vem de baixo para cima. Portanto, a linha que demarca a zona de saque no tamboréu mede 7,5 metros, nos jogos de duplas, e 5,5 metros, nos individuais. Nesse esporte, o sacador tem direito a dois saques e, errando esses, perde o ponto e o direito de continuar em posse da bola.
As partidas são feitas em até três sets de dez pontos cada. No segundo set inverte-se automaticamente o campo e o saque. Se a partida chegar ao terceiro set, haverá novo sorteio para a escolha de campo e, ao ser feito o quinto ponto, os atletas mudarão de campo, permanecendo o saque com a equipe que detinha esse direito.
*reportagem de Maria Gabriela Lages Ribeiro, publicada na Revista Beach&CO (novembro de 2006).
Academia ao ar livre é inaugurada no Castelo, em Santos
Novo time de futebol americano do litoral de SP estreia no domingo (23)