Programa estadual transforma pescadores artesanais em agentes de conservação e mostra, em Guarujá, como a Economia Azul pode unir proteção ambiental e geração de renda
Marina Aguiar
Publicado em 25/09/2026, às 12h00
A Economia Azul dá ao mar uma dimensão que vai além da atividade econômica. É também a compreensão de que desenvolvimento e conservação precisam caminhar juntos, reconhecendo o oceano como patrimônio ambiental, espaço de trabalho e fonte de renda. O programa Mar Sem Lixo dá uma aplicação concreta a esse conceito.
Iniciativa da Fundação Florestal, órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, do estado de São Paulo, o Mar Sem Lixo é desenvolvido em diferentes regiões do litoral paulista e envolve pescadores artesanais na retirada de resíduos do mar e na conservação do ambiente marinho. Guarujá concentra hoje o maior número de participantes da iniciativa no estado: dos 350 pescadores cadastrados, 123 atuam no município.
Por meio do pagamento por serviços ambientais (PSA), o trabalho também gera renda para quem participa da conservação. O programa já destinou R$650.808,81 diretamente aos pescadores guarujaenses e retirou 92,14 toneladas de resíduos das águas e manguezais do município desde novembro de 2023.
Para Sandra Leite, analista ambiental da Fundação Florestal, o programa amplia o papel de quem vive diretamente do mar.
A iniciativa reconhece o pescador como agente central na conservação e promove a conscientização sobre a poluição marinha”.
A experiência mostra que a Economia Azul não precisa ser apenas uma perspectiva para o futuro. Ela pode começar pela valorização de quem já vive do mar e pelo reconhecimento de que cuidar desse território faz parte da atividade econômica.