Uma história de ação e aventuras

É o que mostrará a publicação em quadrinhos que a prefeitura deverá lançar até o fim do ano, sobre o primeiro povoado de apoio para a colonização do Brasil

Da Redação
Publicado em 08/10/2019, às 07h32 - Atualizado em 26/08/2020, às 22h07

- Arquivo JCN


A história começa no século XVI, período marcado por grandes conquistas dos navegadores portugueses. Depois de meses no mar, Pedro Álvares Cabral avistou terra. A primeira imagem da descoberta do Brasil dá início à história em quadrinhos idealizada pelo prefeito Lairton Gomes Goulart, que também responde pelo texto, roteiro e boa parte das pesquisas. Intitulada Bertioga, Berço da História do Brasil ela será recheada de aventuras, muita ação e emoções, ingredientes certos para atrair a atenção de um público especial: crianças e jovens da rede municipal de ensino.

 A ideia é divulgar, de uma maneira gostosa e fácil de entender, toda a rica história de Bertioga que, na verdade, foi o primeiro povoado de apoio para a colonização do Brasil, explica o prefeito, que pretende concluir o projeto até o fim do ano e distribuir cerca de 10 mil exemplares para as escolas da cidade.

Nas pesquisas, Goulart conta com a ajuda de um historiador da Universidade de São Paulo (USP), e a coordenação dos desenhos está a cargo de José Geraldo Júnior. “Queremos resgatar na criança o interesse pelas coisas daqui, e temos muita história para contar”, diz o prefeito que se empolga ao falar dos fatos e heróis da região que era habitada por tupiniquins e tupinambás na época do Descobrimento.



A história da antiga Buriquioca (Morada dos Macacos), de acordo com designação tupi, começa com a chegada de Martim Afonso de Souza em 1531, que pensou em se estabelecer na região. Mas, como não havia água potável de fácil acesso, foi convencido por João Ramalho a seguir em direção ao sul onde, em 22 de janeiro de 1532, fundou a Vila de São Vicente.

Por sugestão de Ramalho, ele deixou alguns homens em Buriquioca para construírem uma estacada, espécie de fortim. Diogo Braga e seus filhos João, Diogo, Domingos, Francisco e André ficaram responsáveis pela formação de uma primeira colônia na região, além da construção do atual Forte São João, que tinha como objetivo evitar a invasão de piratas, índios e inimigos da Coroa de Portugal.



O PRIMEIRO ATAQUE DOS ÍNDIOS 

Denominada de São Tiago, a fortaleza começou a ser erguida em 1532, mas sua primeira grande reforma aconteceu em 1547, quando a construção foi substituída por alvenaria de cal e pedras. Mas isso não foi suficiente para evitar o primeiro ataque dos tupinambás que viviam em Ubatuba. Uma noite, eles vieram em 70 canoas e, como era de costume, atacaram de madrugada.

Os mamelucos e portugueses correram para uma casa de pau-a-pique e se esconderam. 0utros indígenas fugiram para suas casas, mas não resistiram.



O conflito vencido pelos tupinambás resultou no massacre de muitos inimigos e na destruição do sítio de Buriquioca, que foi incendiado.

  

CONFEDERAÇÃO DOS TAMOIOS



A paz entre índios e brancos só foi possível em 1563, quando os jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta deixaram Santos em direção a Bertioga. Eles ficaram abrigados por cinco dias na fortaleza antes de seguirem para Ubatuba, em missão de paz, durante a Confederação dos Tamoios, designação usada para todos os donos da terra.

Na época, cerca de 20 mil guerreiros, comandados por Coaquira, Aimberê, Cunhambebe e Pindobussu, estavam preparados para a descida. Eles queriam destruir Bertioga, Gaiaó e Paranapiacaba, embora o alvo principal fosse a então Buriquioca, pois seu canal era ponto estratégico para a entrada na baía de Santos e São Vicente.



Anchieta ficou refém dos tupinambás por um mês enquanto Manoel da Nóbrega retornava com alguns índios para afiançar o cumprimento do Armistício de Iperoig. Ele propunha a paz entre índios, portugueses e seus descendentes, o que foi estabelecido.

O MISTÉRIO DOS TAPANHUNHOS

 Vários documentos históricos santistas, datados do século XVI, apontam a existência de um grupo indígena misterioso: os tapanhúnhos. Eles são retratados como índios de boa índole, mas adeptos à servidão, trabalhando como colaboradores e escravos. De acordo com informações de estudiosos, eles eram escuros, quase pretos, e se refugiavam no fundo das matas de Bertioga, nos contrafortes do Itapanhaú, de onde pode ter surgido a própria denominação. Tapanhu significa o mesmo que Itapanhaú, e não, gente, ou ainda Itapanhú-nã, de onde poderia ter se originado o termo português tapanhúno.



Um deles ficou conhecido no último ataque dos tupinambás (chamados de tamoios) feito de surpresa contra Santos, desrespeitando o Armistícío de Iperoig. A bravura do índio negro, como diz a crônica, acabou salvando Santos e São Vicente. Ele chefiou, com sucesso, as forças de resistência formadas por carijós, brasileiros, guaianazes e portugueses. Mas, nem mesmo o nome do herói brasílico-bertioguense foi registrado na história.

A origem e o destino dessa tribo oficialmente são desconhecidos. Diante ao avanço colonizador dos portugueses e, mais tarde, dos Bandeirantes, os tapanhúnos podem ter emigrado para o sertão. Hoje, sua existência pode estar associada a uma tribo de índios negros que foi descoberta há vários anos no coração de Goiás, como consta no livro Bertioga Histórica e Legendária 1531/1947, editado em 1948 por Armando Lichti.