Da Redação
Publicado em 26/06/2019, às 12h40 - Atualizado em 26/08/2020, às 22h10
Ela não nasceu em Bertioga, mas vive na cidade há 77 anos e dez meses. Trata-se de Maria Luiza de Jesus de Campos. Dona de uma simplicidade e meiguice em todos os seus gestos e expressões, Maria Luiza acompanha o desenvolvimento de sua quarta geração. Ela tem seis filhos, 20 netos, 41 bisnetos e dois tataranetos. Maria Luiza conta que chegou a Bertioga com 17anos, em 1917, vindo de São Sebastião, sua terra natal. "Vim a pé e demorei dois dias e meio para chegar", ressalta. Atualmente, ela mora em uma casa, no centro do município, mas também residiu no Itatinga com o marido Nestor Pinto Florêncio, que já morreu.
Ele nasceu em 1893, na cidade. Com carinho, Maria Luiza lembra o passado e afirma que a época era melhor se comparada com os dias de hoje. “Não havia tanta violência, doenças e falta de respeito entre as pessoas", explica. Sobre a falta de infraestrutura naqueles anos, ela diz que encontrou muito mato em Bertioga. Recorda também que precisava buscar água para o consumo em uma nascente no morro da Senhorinha, ainda existente.
Revolução de 32
Maria Luiza declara que acompanhou a Revolução de 32-revolta deflagrada no estado de São Paulo contra o governo federal -, quando soldados ocuparam o Forte São João: "A gente via navios chegarem e aqueles homens acamparem na praia. Cheguei a servir café para tenente e sargento. Eles falavam que minha casa estava protegida", recorda. Ela conta que seu dia a dia era de muito trabalho. Seu marido Nestor Pinto Florêncio vendia pães, cereais, fumo de rolo e vários outros produtos. Maria Luiza dedicava a maior parte do tempo na manutenção da casa, onde fazia deliciosos doces - como lembra sua filha Nilza Pinto Cóstula -, entre outras atividades.
Maria Luíza teve seus seis filhos em casa com a ajuda de parteiras como dona Maria Hora, Idalina e Olímpia. Lembra também que a maleita atingiu moradores de Bertioga, e do antigo cemitério que ficava na área do atual colégio Dino Bueno, além das invasões marítimas que chegavam a assustar.
Com saudade, recorda os eventos de Folias de Reis, que hoje não mais acontecem, e os bailes familiares que divertiam na época. Hoje, ela vive em uma casa anexa à residência de sua filha Nilza. Apesar da idade avançada, Maria Luiza tem boa saúde. Porém, recentemente, sofreu uma queda, o que lhe custou uma fratura do fêmur. Em função do problema, ela toma medicação para evitar dores, enquanto se recupera.