Quem não conhece a história de Bertioga, pode nem se dar conta da importância do monumento que pontua o centro da Praça dos Emancipadores,na confluência entre as avenidas 19 de Maio e Anchieta.
Da Redação
Publicado em 02/04/2019, às 08h46 - Atualizado em 26/08/2020, às 22h05
Vermelho, na forma de duas colunas em tamanhos diferenciados. A menor tem um furo no centro, em sua parte superior, enquanto a maior é adornada com um emblema. Mas, quais os significados desses símbolos?
Quem explica é Eunice Olsen Lobato, secretária do movimento de emancipação que elevou a cidade à categoria de município, dia 19 de maio de 1991.Ela nos convida para uma volta ao passado, mais precisamente ao meio da década de 1980, quando teve início o segundo movimento pela emancipação. Foi nessa época, que o então administrador da subprefeitura de Bertioga, pertencente a Santos, o atual prefeito Mauro Orlandini, desenhou aquele que seria o símbolo da luta pela independência do município, para ilustraras camisetas dos membros da Comissão Organizadora da Emancipação, presidida por Licurgo Mazzoni.
Parte desta imagem, as colunas, acabou eternizadan o Brazão e na Praça dos Emancipadores. As colunas têm duas leituras: na primeira, representam barcos. Odo lado esquerdo homenageia os pescadores e o da direita a vela esportiva.
Na segunda leitura, as velas dos barcos são colunas e ilustram dois momentos vividos na história da luta pela emancipação. A menor, com um furo no centro da base superior, representa o primeiro movimento, o de 1958 - quando de um total de 256 eleitores,apenas 219 participaram do pleito, rejeitando o desmembramento. “O movimento furou, não deu certo.Por isso o furo”, ressalta Eunice Lobato.
A maior, com o emblema da campanha da comissão ao centro, representa a vitória do segundo movimento. Em 19 de maio de 1991, dos 3925 eleitores que compareceram ao plebiscito, 3698 disseram sim!A cor vermelha representa o sangue, a luta de quem participou desta batalha.
Segundo Eunice Lobato, durante a construção do monumento, em sua parte inferior, foi inserido um tubo de PVC lacrado contendo objetos pessoais de membros da Comissão Organizadora, como óculos, canetas e relógios, entre outros. Eunice depositou um lenço de rosto, primeiro presente de seu marido, quando namorados, e uma carta aos filhos.“Com o lenço enxuguei muitas lágrimas de alegria e tristeza. Na carta peço perdão a meus filhos, por tê-los deixados muitas vezes. Mas, digo que, em compensação deixava para eles uma cidade e que sem luta não há vitória”, conta.
Eunice Lobato é guardiã das atas, livros e anotações daquele período. Entre eles, um livrinho com rubricas de personagens importantes no cenário político nacional como Orestes Quércia, Luiz Inácio Lula da Silva, Fleury Filho, Guilherme Afif Domingos e Jarbas Passarinho, entre outros.